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“Fazer cinema no Brasil é uma grande aventura”, afirma Matheus Nachtergaele

Vencedor na categoria de melhor ator do 11º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema comenta sobre a situação do cinema brasileiro

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

A vertente de filmes belos, poéticos e sensíveis do cinema nacional ainda é desconhecida por grande parte do público brasileiro. A produção de filmes no Brasil tem crescido e se aprimorado nos últimos anos, mas ainda enfrenta uma concorrência desleal com os títulos estrangeiros. A avaliação é do ator Matheus Nachtergaele, que compareceu ao Teatro do Sesi-SP na noite desta terça-feira (5/5) para a 11ª edição do Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema.

“Fazer cinema no Brasil ainda é, em 90% dos casos, uma grande aventura, com pouco retorno de bilheteria, na verdade”, comentou Nachtergaele.

Vencedor na categoria de melhor ator com o filme “Trinta”, Matheus Nachtergaele explicou que entende a importância de filmes considerados mais “comerciais”, que consolida grande parte da indústria cinematográfica brasileira, mas lamentou o fato de que o público brasileiro não conhece os grandes filmes nacionais.

“É importante que exista uma quantidade boa de filmes que as pessoas vejam, para que o cinema exista, para que as equipes e os artistas sobrevivam, e para que uma indústria se forme, mas o belo cinema nosso não é muito visto. Mas, felizmente, é homenageado em eventos como este”, afirmou o ator.

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Matheus Nachtergaele: "Prêmios são um carinho que o cinema brasileiro acaba recebendo". Foto Everton Amaro/Fiesp

Prêmios que celebram o cinema, como o da Fiesp/Sesi-SP, relembram as produções marcantes que foram realizadas durante o ano anterior, e, para Nachtergaele, isso é uma forma importante de reconhecimento.

“Além de chamarem a atenção para belos trabalhos que o público deve ver, os prêmios são um carinho que o cinema brasileiro, tão judiado, acaba recebendo”, disse.

Diversidade no mercado cinematográfico

André Sturm, presidente do Sindicato da Indústria do Audiovisual do Estado de São Paulo (SIAESP) e curador do 11ª edição do Prêmio da Fiesp e do Sesi-SP, comentou sobre o desenvolvimento da indústria cinematográfica no Brasil, que, de acordo com ele, teve um aumento de 50 para 120 produções por ano.

“Vivemos um momento positivo para o cinema nacional, com uma série de mecanismos de apoio, de produção, a lei que criou espaço para o audiovisual brasileiro nos canais de TV a cabo, e isso causa uma revolução muito importante para a nossa produção”, explicou o curador.

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Andre Sturm durante 11o Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Sturm criticou a maneira como as salas de cinema no Brasil têm sido ocupadas. Apesar de novas regras estabelecidas pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) para o uso limitado de salas para o mesmo filme, alguns lançamentos, principalmente norte-americanos, ainda ocupam boa parte da programação dos cinemas.

“Depois do esforço, chegamos ao acordo de limitar o número de salas em um mesmo complexo, mas no primeiro grande lançamento, não cumpriram”, disse Sturm se referindo a uma franquia norte-americana. Segundo ele, apenas 3 filmes ocuparam 85% das salas de cinema no país em 2014.

André Sturm defendeu a importância da diversidade de produções cinematográficas no mercado brasileiro e afirmou a necessidade de impor limites a uma ocupação abusiva de filmes estrangeiros.

“Não é só a indústria do cinema que sai prejudicada, não são apenas os produtores e os distribuidores do cinema que saem prejudicados, mas, principalmente, os cidadãos brasileiros”, concluiu Sturm.