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Fátima Monis fala da iniciativa do Sesi-SP de incentivar a música instrumental brasileira


Por Dulce Moraes, Agência Indusnet (com colaboração de Nina Proci)

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Fatima Moniz, orientadorai de artes cênicas do Sesi-SP. Foto: Arquivo

A orientadora de artes cênicas do Sesi Piracicaba, Fátima Monis, conversou com a equipe de jornalismo da Fiesp sobre a 6ª Mostra de Música Instrumental do Sesi-SP, que será realizado de 26 de julho a 3 de agosto, em Piracicaba.

A organizadora da Mostra falou das origens do evento, da valorização da música instrumental brasileira, e os destaques da edição, que conta com artistas reconhecidos mundialmente, além da participação internacional do baterista Pipi Piazzolla, que oferecerá uma Clínica de Jazz aos participantes.

A especialista em artes cênicas considera a Mostra como um grande encontro de gerações — não só do público, mas também dos artistas — e acredita que, a cada ano, o evento tem aberto novos caminhos para música instrumental brasileira.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista:

O Sesi já realiza outros projetos dedicados a outros gêneros musicais, como a música popular ou a erudita. Como surgiu a ideia desse projeto dedicada a Música Instrumental na cidade?

Fátima Monis – A Mostra foi idealizada por Marcelo Astolphi Mazzei, que é o diretor do Sesi Piracicaba e, além de músico, vem de uma família musical. Ele trouxe essa referência de Tatuí, cidade que tem um Conservatório de Música, e, ao perceber a vocação musical de Piracicaba, pensou em construir esse “espaço” para o público conhecer a música instrumental brasileira e também para que artistas pudessem mostrar a sua música.

A Mostra reforça a ideia de criar um polo musical na cidade?

Fátima Monis –  Na verdade, Piracicaba já tem uma forte vocação musical. Temos aqui a tradicional Escola de Música do Maestro Ernst Mahle, uma Faculdade de Música, e a cidade tem sido um celeiro de grandes músicos e grupos instrumentistas. O ganho da Mostra é a oportunidade dos músicos da cidade fazer esse intercâmbio. Por exemplo, no primeiro dia teremos apresentações do Leoni que é um musico piracicabano e a do Lanny Gordin. No ano passado, tivemos o Marco Moraes, um excelente músico piracicabano, se apresentando na mesma noite que o Yamandu Costa, inclusive no DVD eles fazem essa parceria. Enfim é um rico intercâmbio. 

Essa troca de experiência seria o objetivo principal da Mostra?   

Fátima Monis –  O objetivo principal é dar ao público esse contato com a música instrumental, divulgar esse gênero que é pouco conhecido pelas pessoas, e trazer grandes artistas ao palco do Sesi para que o público tenha contato com a música instrumental de qualidade. E, além disso, proporcionar aos artistas da cidade ter essa troca com músicos artistas que viajam o mundo todo.

É uma forma de democratização da música?

Fátima Moniz – Sim. O Sesi Piracicaba está localizado numa região mais perifericamente da cidade e como toda Mostra é gratuita, permite que qualquer pessoa que queira conhecer o estilo musical, tenha contato com músicos renomados no mundo todo.  E, por outro lado, para os artistas brasileiros, muitos deles conhecidos mundialmente mas pouco conhecido no próprio País, é a oportunidade de ter contato com essa plateia.

Nesses seis anos de realização, como tem sido a receptividade do público? 

Fátima Monis – Há um público crescente, a cada edição. Temos o público fiel, que gosta e conhece a música instrumental, e também novas plateias, ou seja, pessoas que não conheciam o gênero e, de repente, ao participar da Mostra, percebem que não é tão difícil assim a música instrumental, que ela tem muita qualidade e beleza artística.

Além dos shows, o que mais público poderá ver na Mostra? 

Fátima Monis – Na Mostra, já há alguns anos, temos acrescentado workshops não só para os músicos mas para aquele apreciador que queira conhecer um pouco mais da música e participar. Neste ano, teremos dois workshops: um com o baterista Alexandre Cunha. que vem falar um pouco sobre a música brasileira e o outro será uma Clínica de Jazz com o grupo Escalandrum, com o Pipi PIazzolla.

E o Pipi Piazzolla, que é a atração internacional, já tem glamour até no nome, não é? 

Fátima Monis – Além de ser neto do grande Astor Piazzolla, o Grupo Escalandrum é muito reconhecido musicalmente e tem ganhado vários prêmios pelo mundo. Acho que vai ser uma possibilidade, não só para o apreciador mas também o público, de assistir a um show maravilhoso de uma pessoa que é neto de alguém que já faz parte do nosso imaginário.

Quais são os destaques da Mostra? 

Fátima Monis – Na abertura da Mostra, faremos o lançamento do DVD da Mostra do ano passado, e teremos também o Bira com o seu conjunto musical, no show Mosaico. O Bira participa do Programa do Jô, é um showman maravilhoso. Então o público terá um show com a extrema qualidade musical a simpatia do Bira. Mas, nós temos também o Lanny Gordin, temos a Badi Assad, Duda Neves, além do próprio Pipi Piazzolla com seu conjunto de Jazz, que é Escalandrum.

Como a Mostra trabalha esse mix de estilos que incorporam a música instrumental?

Fátima Monis – A Mostra abre caminho para a música experimental. Tem uma pegada forte do Jazz, mas os músicos trazem referências brasileiras e das suas pesquisas. Penso que a Mostra tem como principal característica o encontro, tanto de gerações no palco — como o Duda Neves que tem 50 anos de bateria com o Alexandre Cunha que é um músico jovem – como de pesquisas musicais diferentes. Ela não é fechada em um estilo. Ela tem essa característica da música instrumental, isto é, não tem a música cantada, mas é a Música Instrumental brasileira.

E quais caminhos ou fronteiras que a mostra está abrindo?

Fátima Monis – A Mostra tem tomado uma dimensão maior não só do público como também dos músicos.

Queremos cada vez mais que a Mostra possibilite ao público conhecer artistas de outros países, outras pesquisas sonoras de outros países e outras regiões do Brasil.

A tendência da Mostra é a cada ano melhorar, com atrações internacionais, embora temos na Mostra artistas e instrumentistas brasileiros, como o Duo Fel, muito reconhecidos no mundo inteiro e até mais que aqui no Brasil.

Sobre a 6ª Mostra de Musica Instrumental do Sesi-SP

Local: Teatro do Sesi Piracicaba – av. Luiz Ralph Benatti, 600, Vila Industrial
Capacidade: 320 lugares e 8 lugares para pessoas portadoras de necessidades especiais.
Classificação indicativa: Livre
Informações: 
(19) 3403-5928
Entrada gratuita – os ingressos serão distribuídos 1 hora antes do início do espetáculo