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Fapesp lança relatório mundial sobre bioenergia e sustentabilidade na Fiesp

Evento foi parte do Festival Internacional de Biotecnologia (Biofest)

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

“Nossa pesquisa mostra a necessidade de ter políticas integradas”, afirma a coordenadora do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen), Glaucia Mendes Souza, sobre o relatório Bioenergy & Sustainability: bridging the gaps, durante o Festival Internacional de Biotecnologia (Biofest), organizado pela Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), durante a Semana de Meio Ambiente.

O encontro discutiu o potencial e o papel do Brasil na bioeconomia, tecnologias, parcerias inovadoras e políticas para uso e expansão de bioenergia definidas com base em conhecimento científico.

Glaucia explicou que o estudo foi produzido por 137 especialistas de 24 países ao longo de dois anos sobre as diversas questões relacionadas com produção e uso de bioenergia e sustentabilidade.

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Glaucia Mendes Souza, coordenadora do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia. Foto: Everton Amaro/Fiesp


“Com base em mais de 2.000 referências e estudos, o documento fornece uma análise abrangente de tecnologias e práticas atuais da bioenergia, incluindo produção, sistemas e mercados, e o potencial de expansão sustentável e de maior adoção da bioenergia, em paralelo com uma revisão crítica dos seus impactos”, disse.

O relatório foi coordenado por cientistas ligados a três programas da Fapesp: Bioen, Mudanças Climáticas Globais e Biota, de pesquisa sobre a biodiversidade, e teve apoio da Fundação e da Secretaria do Comitê Científico para Problemas do Ambiente (Scope, na sigla em inglês), agência intergovernamental associada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), responsável pela iniciativa.

Destaques

O relatório Bioenergy & Sustainability: bridging the gaps confirma o valor da bioenergia como alternativa energética e para a redução dos impactos da queima de combustíveis fósseis. Destaca ainda as possibilidades de aumentar a segurança energética e a mitigação das mudanças climáticas pelo uso de tecnologias avançadas de conversão de biomassa, que também contribuiriam para compensar impactos ambientais negativos causados pelo desmatamento e degradação de florestas.

Outra conclusão é que sistemas de produção de bioenergia que adotam práticas sustentáveis podem compensar emissões de gases de efeito estufa resultantes de mudanças no uso da terra ou perda da biodiversidade. Essas tecnologias e procedimentos incluem a combinação de diferentes matérias-primas e outras práticas de gerenciamento do solo adaptadas a condições locais.

Quanto à questão da terra, a conclusão dos autores é que existem áreas suficientes no mundo para ampliação do cultivo de biomassa e que o uso dessas áreas não representa uma ameaça para a segurança alimentar e a biodiversidade. E confirmam evidências de que a adoção de tecnologias para melhoria do solo, a integração de cadeias produtivas e o uso de subprodutos da bioenergia em áreas rurais pobres podem melhorar o desempenho da economia, aumentar a qualidade dos alimentos e criar empregos.

Segurança ambiental

Também participaram da apresentação do relatório o presidente da Fapesp, Celso Lafer, e o diretor científico da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz.

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Celso Lafer, presidente da Fundação Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Foto: Everton Amaro/Fiesp


A programação incluiu outros dois painéis: Cadeias de Abastecimento e Segurança Ambiental; e Desenvolvimento Sustentável e Inovação. Os temas foram Água, Emissões de Gases de Efeito Estufa, Segurança Climática e Ambiental, Segurança Alimentar e Tecnologias de Conversão de Motores, além de um estudo de caso. Os debates se concentraram no potencial do Brasil e as políticas brasileiras para a bioeconomia; tecnologias; parcerias inovadoras; integração de políticas para a agricultura, silvicultura, indústria e educação; e políticas para a expansão da bioenergia definidas com base no conhecimento científico, entre outros assuntos.

Participaram os pesquisadores Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês); Maria Victoria Ballester, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA/USP); Isaias de Carvalho Macedo, do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Manoel Alves Leal, do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE); Luís Augusto Barbosa Cortez, da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp; e Francisco Nigro, da Escola Politécnica da USP.

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Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Lançamento na Europa

No dia 17/6, o relatório também será lançado durante um workshop da Semana de Energia Sustentável da União Europeia (EU Sustainable Energy Week), em Bruxelas, na Bélgica. A reunião foi organizada pela Fapesp, Scope e BE-Basic, consórcio público-privado internacional voltado para soluções viáveis e seguras para a bioeconomia.

Mais informações em: www.eusew.eu/component/see_eventview/?view=see_eventdetail&mapType=hlpc&eventid=4514

A íntegra do relatório Bioenergy & Sustainability: bridging the gaps está publicada em: http://bioenfapesp.org/scopebioenergy