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Fábrica de medalhas olímpicas, Departamento de Desporto Militar mostra na Fiesp seu trabalho

Programas apresentados incluem alto rendimento e inclusão social pelo esporte

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O vice-almirante Paulo Martino Zuccaro, diretor do Departamento de Desporto Militar do Ministério da Defesa, fez nesta segunda-feira (30 de outubro) apresentação durante reunião do Departamento do Esporte da Fiesp (Code). “Estamos neste business há quase 200 anos”, brincou ao iniciar sua palestra. Em 1858, explicou, a Marinha formalizou por decreto a prática de atividades físicas regulares na preparação militar. Em 1920, o tenente Guilherme Paraense ganhou ouro no tiro esportivo e se tornou primeiro medalhista olímpico do Brasil. E Pelé, em 1959, foi campeão sul-americano militar.

Nelson Prudêncio e João do Pulo são outros atletas militares destacados. Felipe Wu foi prata no tiro no Rio 2016; Lars Grael, Torben Grael, Martine Grael fazem parte da linhagem de Dickson Grael, também atleta das Forças Armadas.

Zuccaro ressaltou que o esporte imita o combate, levando para as disputas nas quadras e outros locais os mesmos valores dos campos de batalha. Seu departamento, explicou, tem a missão de fomentar e desenvolver a prática esportiva nas Forças Armadas.

No mundo inteiro o esporte militar tem nível olímpico, disse, lembrando que o Brasil tem participação importante no Conselho Internacional de Esporte Militar.

O Programa de Atletas de Alto Rendimento (Paar) cuida de 41 modalidade, sendo 34 olímpicas. O objetivo é transforma o Brasil em potência olímpica, explicou Zuccaro. Seu planejamento é feito em ciclos, sincronizados com os olímpicos. Em 2019 a disputa dos jogos militares será na China.

Há 627 atletas de alto rendimento em treinamento, sendo 552 temporários, selecionados por edital para períodos de até 8 anos, e 75 efetivos (pertencentes às carreiras regulares das Forças Armadas). O Paar dá apoio financeiro (salários etc), local para treinamento, material e recursos humanos qualificados, assegura a participação em competições de alto nível, tanto militares quanto civis. Há para isso parceria com o Ministério do Esporte. Além disso há o sistema de saúde das Forças Armadas, disponível para os atletas e seus familiares. “Em muitos casos faz uma diferença tremenda.”

Um resultado do investimento no esporte de alto rendimento é a produção de pesquisas que levam também à melhora do desempenho das forças de combate.

E há também o resultado nas competições, com o Brasil ficando em primeiro no quadro de medalhas dos Quintos Jogos Mundiais Militares. Em Londres 2012 havia 51 atletas militares, que conquistaram 17 medalhas. Nos 6ºs Jogos Mundiais Militares a melhor atleta foi Etiene Medeiros, que compete pelo Sesi-SP e é sargento da Marinha, com 4 ouros e 2 pratas. O Brasil ficou em segundo, atrás da Rússia. “O Brasil já é uma potência mundial no esporte militar.”

No Rio 2016 houve 145 atletas militares, ou 30% da delegação brasileira. Disputaram 27 modalidades e conquistaram 13 medalhas, cerca de dois terços do total brasileiro. “Este programa dá frutos para o país”, destacou Zuccaro.

De 6 a 13 de novembro será disputado o Campeonato Mundial Militar de Vôlei de Praia (categoria em que todos os medalhistas brasileiros são militares), e em dezembro, o de Natação.

Zuccaro também explicou o funcionamento do Profesp, programa de inclusão social pelo esporte. São atendidas perto de 23.000 crianças e adolescentes, de 6 a 18, em 175 unidades militares, no contraturno escolar. Há parceria entre o Ministério das Forças Armadas, o do Esporte e o do Desenvolvimento Social. Conforme a unidade, há diversas outras atividades, além do esporte, disse o vice-almirante – por exemplo, música, quando há bandas.

Isso complementa o trabalho no alto rendimento, afirmou. O rendimento escolar aumenta, a evasão diminui, há redução da exposição das crianças à criminalidade, aumento da consciência ambiental e o despertar do interesse pela atividade esportiva.

O Profesp ajudou, disse Zuccaro, a detectar atletas olímpicos, caso de Vitória Rosa. Ainda muito no início, o programa João do Pulo visa à integração social de militares com deficiência.

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Desporto Militar foi tema de reunião do Code, da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Zuccaro explicou a busca de parcerias, para complementar o orçamento. “Nossas potenciais parcerias são muito rentáveis porque o investimento dos patrocinadores vai integralmente para a ponta da linha, sem pagar pedágio no meio do caminho.” Os recursos não são usados, por exemplo, para despesas administrativas.

“O esporte educacional tem que ser a prioridade”, disse, “o que não significa abandonar o esporte militar; eles são complementares”, afirmou Zuccaro. Mario Frugiuele, diretor titular do Code e condutor da reunião, lembrou que esporte e educação têm que andar juntos.

Frugiuele destacou a importância das Forças Armadas para o esporte brasileiro. A presença do vice-almirante, disse Frugiuele, pode representar uma oportunidade de aproximação com a iniciativa privada. Chamou de brilhantes os resultados apresentados pelo programa. “Temos que aumentar a base para o esporte brasileiro”, defendeu. Se cresce a prática esportiva, cresce também a cadeia produtiva do setor, ressaltou.

Durante o evento, Ana Bacellar, do Comitê Paralímpico Brasileiro, manifestou interesse em criar parceria com o Departamento do Desporto Militar.

Valesca Honora, subsecretária de Articulação Regional da Secretaria paulista de Educação, destacou a contribuição dada pelo esporte ao rendimento escolar.

Integraram também a mesa principal da Reunião do Code Maurício Fernandez e Victor Hajjar, diretores titulares adjuntos; Cezar Roberto Leão Granier, conselheiro do Interclubes, e Paulo Cesar Mário Movizzo, presidente do Sindiclube – Sindicato dos Clubes do Estado de São Paulo.