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Entrevista: Fabio Mortara, coordenador de novo comitê da Fiesp, fala de desafios da cadeia produtiva gráfica e do papel

Objetivo de novo comitê da Fiesp é tratar das questões do setor de ‘forma e mais eficiente e coordenada’, diz Mortara

Guilherme Abati e Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Fabio Mortara: 'entidades nacionais vieram porque acreditam que está na hora da cadeia produtiva conversar'. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Pouco antes da primeira reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na tarde de terça-feira (09/04), o coordenador do organismo, também presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas de São Paulo (Sindigraf-SP), atendeu a reportagem do site da Fiesp.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Qual o objetivo da criação deste comitê na Fiesp?

Fabio Arruda Mortara – A gente percebeu que a cadeia produtiva do papel, da indústria de comunicação impressa e das embalagens (que também é comunicação impressa) estava precisando se encontrar e começar a discutir suas questões de forma coordenada, integrada e sinérgica.  Então, surgiu a oportunidade, com o apoio fundamental da Fiesp, de reunir mais de trinta entidades da cadeia produtiva – a grande maioria das quais nacionais, que vão de agências de propaganda, jornais, livros e revistas, até a indústria de papel e celulose, de tecnologia da indústria gráfica –, para poder listar as questões mais importantes do setor e passar a tratá-las de forma eficiente e coordenada, como já fizeram, nesta casa, o setor do agronegócio, da construção civil e vários outros setores.

Qual é o maior desafio dessa área?

Fabio Arruda Mortara – A comunicação impressa, sem dúvida, atravessa um momento de grande desafio. Os equipamentos que não são atômicos são eletrônicos e nós vivemos de átomos. A indústria de comunicação impressa e de embalagens lida com átomos e a era da eletrônica, que alguns chamam de digital, são basicamente elétrons. A gente não tem nada contra os elétrons, mas nós temos uma feição muito maior aos átomos. E esse é o grande desafio: entender como a humanidade, a sociedade brasileira vai poder entender, perceber o valor e lidar com isso – sejam atômicas ou, no nosso caso, impressas (em papel ou em outras mídias – nas próximas décadas. E a cadeia produtiva unida vai fazer isso de uma forma, provavelmente, muito mais eficiente.

Jornais e livros têm o risco de acabar com o crescimento das mídias digitais?

Fabio Arruda Mortara – De forma alguma. Nós temos aqui, hoje, presentes, presidentes das principais entidades de livros, presidentes de sindicatos de jornais. Está claríssimo de que essas são mídias que vão permanecer durante muitas décadas, na indústria, na nossa sociedade e mesmo em sociedades desenvolvidas. Então, nós temos certeza de que as formas impressas realmente vão subsistir.  Agora, todas essas mídias vão se acomodar, lógico, mas a gente quer entender isso melhor e esticar o ciclo de vida de todos os produtos, na medida em que isso for possível.

Este encontro é histórico? Por quê?

Fabio Arruda Mortara – Nós temos hoje, aqui, mais de trinta entidades nacionais. Algumas são também sindicatos do estado de São Paulo, mas a grande maioria são entidades nacionais, que vieram porque acreditam que está na hora da cadeia produtiva conversar. E o destino desse grupo, desse comitê, vai depender, basicamente, do tipo de proposta, da consistência do que nós fizermos e dos resultados que a gente conseguir obter.