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Estudo mede impacto de projeto para facilitar comércio exterior na retomada das exportações da indústria

Redução do tempo de desembaraço e diminuição de custos representam forte estímulo ao setor

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado na quinta-feira (13/8) na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) projeta crescimento da participação dos produtos industriais nas exportações brasileiras com a adoção de medidas de facilitação do comércio exterior. Segundo o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Lucas Ferraz, consultor do estudo, as exportações brasileiras de produtos industrializados teriam crescimento de 10,3% em 2017 e continuariam em forte evolução, subindo 26,5% em 2030 com a adoção das medidas previstas no programa do governo federal “Portal Único de Comércio Exterior”.

O programa prevê redução de 13 para 8 dias no prazo médio de exportação. Para as importações, o prazo médio nas aduanas brasileiras cairia de 17 dias para 10. As medidas propostas permitiriam redução anual de custos de US$ 23 bilhões na importação e exportação, com base nos dados de comércio de 2013.

O estimulo à formação bruta de capital graças ao Portal Único deve ter efeito positivo sobre o PIB brasileiro. Em 2017, quando o programa estiver concluído, o PIB deve ser 1,19% maior do que seria sem essas medidas de facilitação do comércio. Em 2030, o PIB cresce 2,53% sobre o cenário base. O impacto das medidas beneficia por tabela a Argentina, com crescimento de 0,79% de seu PIB em 2030.

Lucas Ferraz, professor da FGV, em road show na Fiesp sobre facilitação de comércio. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Lucas Ferraz, professor da FGV, em road show na Fiesp sobre facilitação de comércio. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Ferraz explica que a facilitação do comércio deve reverter a tendência de “primarização” da pauta brasileira de exportações (o aumento da competitividade relativa de produtos primários sobre os de maior valor agregado). Graças à redução de custos aduaneiros e à diminuição dos atrasos nas aduanas, espera-se crescimento acentuado das exportações, com estímulo à maior participação de bens industrializados nas exportações, em especial da indústria de transformação. Já em 2017 elas devem crescer 10,3%. Em 2030, o crescimento estimado é de 26,5%, sempre em relação ao cenário base sem o Portal Único.

Em valores absolutos, o adicional no saldo da balança comercial da indústria de transformação começa em US$ 2,18 bilhões, em 2018, e chega a US$ 13,43 bilhões em 2030.

A apresentação, feita pelo professor Lucas Ferraz, foi parte do road show Promovendo Iniciativas de Facilitação do Comércio, realizado em São Paulo pela Fiesp, CNI e pela Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios.

Estratégia
Ferraz destacou que o estudo mostra o caráter estratégico das políticas de facilitação de comércio para a competitividade da indústria de transformação no Brasil. O pesquisador apresentou dados do custo representado pelos atrasos – que chega a ser mais significativo que o representado por impostos. Segundo a FGV, os atrasos representam custo adicional médio de 13,04% nas exportações, em razão de fatores como necessidade de aumentar estoques e depreciação econômica.

“Tempo é sinônimo de qualidade”, destacou Ferraz. Quanto maior o atraso nas entregas, menor a predisposição a pagar por determinado volume comprado, explicou. Citando estudo acadêmico, o professor da FGV disse que cada dia em trânsito custa entre 0,64% e 2,1% do valor da carga comercializada.

E o Brasil é pródigo em atrasos. Além da burocracia, há filas em rodovias, portos e aeroportos. Ferraz citou números de levantamento feito em conjunto com a Fiesp que mostram as desvantagens logísticas brasileiras. A proporção de estradas asfaltadas é baixa, o custo do frete é alto, e o tempo nas aduanas é elevado.