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Estudo da Fiesp aponta que dívida da indústria vai subir 200% até 2020

Montante deve chegar a R$ 594,2 bilhões, o que significa uma elevação de 207% no endividamento entre 2010 e 2020

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp 

Em 2020, a dívida financeira líquida das maiores empresas da indústria de transformação deve chegar a R$ 594,2 bilhões, o que significa uma elevação de 207% no endividamento entre 2010 e 2020. No mesmo período, o Ebitda – o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortizações – deve ter alta de 28%. Com isso, a relação dívida/Ebitda no período deve passar de 1,95 para 4,69. As projeções são do estudo “Deterioração financeira nas grandes empresas da indústria de transformação”, produzido pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp.

Segundo o diretor do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho, o objetivo da pesquisa foi analisar a evolução do endividamento e a capacidade de pagamento das maiores indústrias de transformação. “A evolução da dívida foi projetada de acordo com a atual tendência média de crescimento, e a geração de caixa (Ebitda), teve por base as perspectivas de juros e crescimento do boletim Focus de 21 de outubro”.

Os dados foram dessazonalizados pelo IPCA e foi suposto que o câmbio é constante. Foram analisadas demonstrações financeiras de 114 empresas de capital aberto e 155 empresas fechadas entre 2010 e 2015.

A dívida financeira bruta das empresas do universo pesquisado no estudo aumentou 59% reais de 2010 para 2015, de R$ 317,4 bilhões para R$503,5 bilhões. Somente entre 2014 para 2015 a elevação foi de 17,2%. “Isso é resultado da combinação de crise, câmbio desfavorável e juros altos”, ressalta Roriz.

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Roriz: combinação de crise, câmbio desfavorável e juros altos. Foto: Tamna Waqued/Fiesp


A pesquisa focou predominantemente nas grandes empresas, com maior acesso ao crédito bancário e ao mercado de capitais. Ou seja, um universo que tende a ter um nível de endividamento maior do que as empresas de pequeno porte.

Roriz enfatiza que “caso continue a atual tendência, a expectativa é de que a grande maioria das empresas se encontre em situação bastante preocupante de endividamento e geração de caixa nos próximos anos, comprometendo, dessa forma, um dos únicos vetores restantes de crescimento para o país: o investimento”.

Nesse sentido, o estudo propõe um plano de desalavancagem corporativa que permita a recuperação da solvência das indústrias, para mantê-las em condições financeiras de operar e evitar a desnacionalização acelerada das principais empresas industriais brasileiras.

De acordo com Roriz, as reformas em discussão devem ajudar no médio e longos prazos. “Ainda assim, precisamos de um planejamento para curto prazo. Caso contrário, as empresas não conseguirão se manter no mercado”, concluiu.

Para ler a íntegra do estudo, só clicar aqui.