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Estratégia para crescer no mercado externo em debate durante seminário na Fiesp

Evento que comemora os 20 anos da Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica reuniu especialistas na sede da federação, nesta sexta-feira (22/08)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Trabalhar em nome da diferenciação de produtos e da agregação de valor para ganhar espaço no mercado global. Ao lado de outras ideias tão relevantes quanto, o tema foi debatido no Seminário de 20 Anos da Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), realizado, nesta sexta-feira (22/08), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

Com o questionamento geral sobre qual a inserção internacional do Brasil esperada para os próximos anos, o evento reuniu personalidades como o presidente do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp, Delfim Neto, o diretor presidente da Sobeet, Luís Afonso Lima, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o conselheiro sênior do Banco Mundial Otaviano Canuto e o diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini. Estiveram presentes ainda os embaixadores Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp e Sérgio Amaral, do Conselho Empresarial Brasil China (CEBC).

Barbosa, ao centro, com os debatedores do seminário da Sobeet: mais comércio exterior. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Barbosa, ao centro, com os debatedores do seminário: mais comércio exterior. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Convidado a discutir as cadeias globais de valor, Coutinho explicou que há diferentes formas de conexão a essas estruturas, o que muda conforme os setores. Nas empresas baseadas no agronegócio, por exemplo, a internacionalização é uma forma de ganhar mercado se observada a lógica de “diferenciar produtos e firmar marcas, agregando valor”. “Já com aquelas de química e siderurgia, predomina a economia de escala”, afirmou.

Outra lição importante nesse sentido, adotada por fabricantes de vestuário da Europa, é trabalhar “a questão da marca e da sofisticação dos produtos”. “Foi a solução que os europeus encontraram para não perder espaço”, disse.

Seja como for, vale a meta de buscar a “qualificação da inserção internacional a partir do trabalho das cadeias produtivas”. “Que a engenharia de produtos no Brasil participe da engenharia de processos, vamos olhar essas oportunidades”, destacou o presidente do BNDES.

Também debatedor do assunto, Canuto lembrou que “o país está menos integrado do que poderia estar”. Segundo ele, mesmo assim, ainda somos o quinto no mundo no ranking de polos de atração de investimento estrangeiro direto. “Muitos investidores falam de nós com um sorriso aberto”, explicou o conselheiro sênior do Banco Mundial. “Um grande fator para isso é a força do nosso mercado, seu tamanho, principalmente na base da pirâmide. Ninguém pode se dar ao luxo de ficar fora”.

Canuto: “País está menos integrado do que poderia estar”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Canuto: “País está menos integrado do que poderia estar”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

No plano externo, de acordo com Canuto, alguns dos principais obstáculos ao comércio não estão nas barreiras tarifárias. “Temos outros obstáculos, como as barreiras físicas e as dificuldades de desenvolver estratégias empresariais”.

Resumindo o tom geral das apresentações, Neto destacou: “o que o Brasil precisa é de política econômica razoável, adequada e que deixe o mercado funcionar”.

Para quebrar o isolamento

O segundo painel de debates do seminário discutiu a visão estratégica do Brasil no que se refere à sua inserção internacional. E teve como participantes Rubens Barbosa e Sérgio Amaral. A discussão foi mediada pela diretora do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), Sandra Polónia Rios.

Para Barbosa, a “visão estratégica do governo” no plano externo nos últimos 12 anos foi “equivocada” ou “não existiu”. “O objetivo foi mudar o eixo da dependência externa brasileira, reduzindo a influência dos países desenvolvidos em detrimento daqueles em desenvolvimento”, explicou. “Foi a chamada política ‘sul-sul’”.

Barbosa: discussão sobre a política ‘sul-sul’. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Barbosa: discussão sobre a política ‘sul-sul’. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Com isso, o Brasil teria ficado “isolado em termos de acordos comerciais”. “Precisamos quebrar o isolamento a que estamos submetidos, ampliar a nossa competitividade e as nossas exportações”.

Na mesma linha, Amaral afirmou que “desconfianças em relação aos Estados Unidos e ao México não são boas para a política externa brasileira”. “O Mercosul deve ser tendência natural pela proximidade, mas isso não deve ser decidido unicamente por questões políticas, como uma certa tolerância acima da média à Argentina”, disse.

De acordo com o embaixador, “temos condições de ter boas relações com os Estados Unidos e a União Europeia”.