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“Estamos gastando R$ 400 bilhões por ano com a carga de juros no Brasil”, diz Octavio de Barros

O país tem maior gasto de juros com provisão do PIB do planeta, afirma economista-chefe do Bradesco

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, debateu nesta segunda-feira (11/5) sobre crescimento econômico com o Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na ocasião ele informou que o país tem o maior gasto de juros com provisão do PIB do planeta.

Segundo Barros –que iniciou a palestra citando a frase do ministro Joaquim Levy sobre o objetivo de não exportar para 2016 o que se pode resolver em 2015– muitos economistas ortodoxos acreditam que os juros já foram longe demais e que o Banco Central é o único a atuar na contramão do cenário econômico e já deveria reduzir as taxas.

“Quando a economia estava aquecida ele reduzia os juros e agora, com a economia em depressão, ele aumenta os juros”.

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Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O economista enfatizou que o país está isolado comercialmente e se tornou um dos países mais fechados do mundo.

“Não dá para negar que o Brasil precisa avançar em acordos comerciais e, talvez, seja uma boa troca que poderíamos fazer, do câmbio depreciado por redução de tarifas de importação. Um bom tema para debates”, disse.

Sobre as exportações, Barros informou que para este ano há previsão de queda de 13%, enquanto a as importações devem registrar queda de 17%.

Desemprego

O economista-chefe do Bradesco afirmou ainda que em dois anos o país migrou de apagão de mão de obra para demissões em massa.  Ele citou números da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, que aponta para uma taxa de desemprego de 6,8% em 2015. Em 2016, o indicador deve chegar a 8,2%.

“É uma terra arrasada e é difícil fazer ajustes neste contexto”, disse Barros durante o encontro na Fiesp. Em 2014, o índice ficou em 4,8%.

A reunião do Conselho de Economia da Fiesp foi conduzida pelo ex-ministro Delfim Neto, presidente do Cosec.