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Qualidade de projetos vai melhorar ambiente de negócios no setor da construção

Tema foi debatido no primeiro painel do 11º Construbusiness, realizado pela Fiesp

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Especialistas e autoridades da cadeia da construção concordaram nesta segunda-feira (9/3) que a falta de projetos qualificados prejudica o ambiente de negócios do setor. O assunto foi discutido durante o painel Desenvolvimento Institucional e Ambiente de Negócios, do 11º Construbusiness – Congresso Brasileiro da Construção 2015, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Participaram do fórum, mediados pelo jornalista Ricardo Boechat, o diretor do departamento das Indústrias Intensivas em Mão-de-Obra e Recursos Naturais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Marcos Otávio Bezerra Prates, o ministro Aroldo Cedraz, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), o vice- presidente da Fiesp e presidente da Agência de Promoção de Investimentos e Competitividade, Juan Quiróz, e o presidente da Associação Ibero Americana de Estudos de Regulação, Floriano de Azevedo Marques Neto.

“No Brasil, atribui-se pouca importância aos projetos. Quando, na verdade, são eles os pilares mais importantes de uma obra”, afirmou Prates citando como exemplo a transposição do rio São Francisco, na qual a falta de um levantamento geotécnico eficiente levou a erros de contratação dos materiais e serviços necessários e à elevação nos custos. Para ele, é necessário acabar com a prática política de se importar apenas com o “lançamento da obra”, que incentiva o início de construções sem projetos elaborados.

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Debatedores do painel "Desenvolvimento Institucional e Ambiente de Negócios". Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Marques Neto reforçou que a previsibilidade é essencial para os negócios, por isso “é preciso ter certeza que o valor contratado será o mesmo que o praticado”. “[Mas] como se atalha o projeto devido a necessidade [eleitoreira] de terminar uma obra em 4 anos, isso não é possível.”

Quiróz também acrescentou que o brasileiro em geral tem uma “cultura empresarial de gastar pouco com projeto, acelerar as questões e tentar resolver tudo depois, já durante a obra”. “Acontece que a essência de qualquer investimento é o projeto, sem ele, não é possível trabalhar com eficiência.”

Burocracia
Questionado por Boechat sobre a morosidade na entrega das obras públicas e o aumento expressivo entre valor orçado e praticado, o ministro Cedraz afirmou que o TCU trabalha constantemente para diminuir a burocracia, melhorando os métodos de trabalho e avançando em relação a “digitalização do governo”.

“É verdade que a burocracia não nos permite produzir, porém, não podemos dizer que o controle em si predispõe o aumento da burocracia”, afirmou. “É preciso ter controle, ao mesmo tempo em que avançamos em outras questões como qualificação de trabalhadores e métodos de trabalho e melhoria da qualidade de nossos projetos.”