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Erro de informações cria outro conflito no Cantareira: a crise da segurança, diz promotor

Rodrigo Sanches do Gaema discutiu segurança hídrica no Lets, encontro de infraestrutura da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Recentemente, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) divulgou que com o acréscimo do volume morto ao Sistema Cantareira, os reservatórios se elevaram para a marca de 26,7%.

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Rodrigo Sanches. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Já a Agência Nacional de Águas (ANA) divulgou um aumento para 22,2%, em meio a um desencontro de informações que provoca uma insegurança uma segunda inda maior na crise do abastecimento de água em São Paulo, afirmou o promotor do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema), Rodrigo Sanches, em painel na tarde desta terça-feira (20/05) a Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.), encontro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Temos uma crise também na informação prestada pelos vários órgãos gestores. Precisamos alertar para que a segurança dessas informações atinja a todas as pessoas. A falha de informações gera uma crise de confiança”, afirmou Sanches.

Sanches engrossou o coro de especialistas ao reiterar que erros de gestão do Cantareira comprometeram a segurança do sistema. Segundo ele, desde novembro do ano passado, as médias pluviais do sistema ficaram até 60% abaixo da média histórica em alguns pontos.

“O que a crise tem mostrado para nós que é nosso sistema de gestão demonstrou falhas, embora o governo tenha sistematicamente demonstrado que isso não está ocorrendo e que eles aplicaram corretamente”, disse.

Ainda de acordo com Sanches, todo o sistema prevê uma regra de exceção e “essas regras não foram aplicadas no momento adequado”.

O representante do Gaema explicou que, se em março o reservatório estivesse com pelo menos 15,8% de volume útil operacional, o sistema deveria ter uma retirada máxima de 27%. “Em fevereiro foi retirado mais de 32% e isso demonstra que havia um problema de gerenciamento desse sistema”, completou.

Mercado de águas


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Raymundo Garrido. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

O professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Raymundo Garrido, que também participou das discussões durante o segundo dia do encontro do L.E.T.S., sugeriu a criação de um mercado de águas, como medida no longo prazo para superar a crise do setor em São Paulo.

“A necessidade de um mercado de águas é um tema para o qual o Brasil ainda não se mostrou sorridente. Estaríamos já passados do tempo de termos o nosso mercado de águas porque o mercado tem a virtude de, sendo a mercadoria de uso imperfeito, implicar a presença de agências reguladoras”, explicou Garrido.

Ele acrescentou ainda que o mercado seria “certamente mais sábio que a decisão do governante quando elegesse suas prioridades”.

Ele reconheceu, no entanto, que não é momento para materializar um mercado de águas, mas reiterou que os agentes do setor não devem “perder a oportunidade de pensar” sobre o tema.

L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico. O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets