Entrevista: Guillermo Hillcoat, coordenador da cátedra Fiesp-Sorbonne na França - FIESP

Entrevista: Guillermo Hillcoat, coordenador da cátedra Fiesp-Sorbonne na França

Relação de aprendizagem e de colaboração da Sorbonne com a Fiesp é uma relação entre iguais, diz professor

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Guillermo Hillcoat: Brasil e França tem problemas comuns coma questão da desindustrialização. Foto: Julia Moraes/Fiesp

PhD em Economia na Universidade de Paris VIII, o professor Guillermo Hillcoat , da Universidade de Paris 1 Panthéon Sorbonne, é o coordenador na França da cátedra “Globalização e mundo emergente”, resultado de uma parceria entre a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a instituição francesa.

Mestre em Economia Política pela Universidade de Paris, Hillcoat é consultor de instituições como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Comissão Europeia. É pesquisador no Centro de economia da Sorbonne e foi diretor, entre 2006 e 2012, da “Chaire des Amériques”.

Em entrevista ao site da Fiesp, Hillcoat fala sobre como surgiu a parceria, os objetivos da cátedra e como ele vê com relacionamento com a Fiesp.

Por que a Sorbonne decidiu trabalhar com a Fiesp?

Guillermo Hillcoat – A Universidade Sorbonne tem relações múltiplas, tanto no continente americano como em outras regiões do mundo. A internacionalização das universidades na Europa e, sobretudo, na França, tornou-se uma preocupação relevante e estratégica porque as universidades que não se internacionalizam – ou que se internacionalizam pouco – perdem em competitividade, conceito muito utilizado hoje em economia e na indústria.

Tivemos a chance de conhecer membros da diretoria da Fiesp, inclusive o presidente [Paulo Skaf]. E foi ali que pensamos em trabalhar sobre algo inovador porque, da mesma forma que é a primeira vez que a Fiesp firma um acordo com uma universidade fora do Brasil, para nossa Universidade também é uma inovação fazer um acordo bem amplo, com muito potencial, com uma instituição da sociedade civil, neste caso, uma federação de empresários, industriais, ainda mais por se tratar de uma grande cidade industrial de um país emergente, no caso, o Brasil.

Então, estávamos ambos bastante entusiasmados para desenvolver esta negociação e concluir algo que seja uma instância, de forma organizacional, que permitiria desenvolver aspectos ligados ao ensino, à formação, aqui ou em Paris; realizar atividades de grande público, conferências, mesas redondas, e fazer também diagnósticos setoriais, estudos pontuais, se aproximando de pesquisa. E, para isso, a ideia de criar uma cátedra, que possa ser uma cobertura para essas atividades e eixos de trabalhos.

Em novembro de 2011 foi assinada uma carta de intenções nesta direção. Tudo foi concluído há alguns meses e nós estamos em ponto de ignição do foguete, digamos assim. E depois será a decolagem.

O que França e Brasil tem a aprender um com o outro dentro dessa experiência da cátedra conjunta?

Guillermo Hillcoat – Esta é uma pergunta bem pertinente. Desde o começo, nós consideramos a relação com a Fiesp como uma relação de paridade. O Brasil é uma economia em que existem oportunidades em todos os aspectos, tanto econômicos, industriais, agrícolas, quanto acadêmicos. Tem problemas de mão de obra, de qualificação, de melhoria de infraestrutura.

Hoje, temos problemas que são comuns – aqui e na Europa – como a questão da desindustrialização, o problema do êxodo de empresas com a concorrência asiática, as questões ligadas a pesquisa, desenvolvimento e inovação, com novos produtos e métodos produtivos.

Então, temos problemáticas que hoje são transversais. Não há somente os antigos países industrializados e os países em desenvolvimento como nos anos 60/70. Hoje, existe uma multipolaridade de regiões emergentes, não tem somente os Brics – eles são os mais conhecidos, e o Brasil faz parte –, mas tem uma segunda onda que chamamos dos “neo-emergentes” como África do Sul, México, Turquia e mesmo outros na América do Sul, como Colômbia e Peru, que são economias bem dinâmicas – ainda que de menor dimensão que a do Brasil.

De modo que consideramos esta relação [com a Fiesp] como uma relação de aprendizagem e de colaboração entre iguais, entre pares, e é neste espírito que nós começamos a identificar certos projetos na área jurídica, da competitividade, do meio ambiente, das energias renováveis – áreas na qual o Brasil não somente pode demandar colaboração mas tem ativos a transferir. Por exemplo, na área de energias renováveis como o bioetanol, o Brasil é um país avançado, que está na ponta da produção e das exportações.

Então, as expectativas são boas?

Guillermo Hillcoat – Sim, absolutamente. Estamos, de fato, somente no começo da identificação de possibilidades de colaboração. A cada conversa, seja quando encontro especialistas dos departamentos da Fiesp, seja quando tive a oportunidade de conversar com o Dr. Paulo Skaf, e, também, claro, com o Dr. Mario [Frugiuele], como na reunião desta manhã [08/04] com os dois vice-reitores da Paris 1 que estão conosco, ou nos encontros de pessoas do Derex [Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior] e de outros departamentos, aparecem ideias, sugestões, pistas para desenvolver projetos de pesquisa ou, talvez, workshops, de modo que as possibilidades são enormes e nós estamos apenas no começo da identificação de áreas de colaboração.

* Com tradução de Beatriz Stevens