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Empresas precisam ser provedoras de bem-estar social

Tema foi discutido na 3ª Conferência Internacional de Conduta Empresarial Responsável – Brasil e União Europeia na Fiesp

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

Crescimento econômico sustentável, emprego pleno, cadeias globais de valor, redução das desigualdades e a mulher no mercado de trabalho foram temas da 3ª Conferência Internacional de Conduta Empresarial Responsável – Brasil e União Europeia, que aconteceu nesta quarta-feira (11 de abril) na Fiesp.

Durante a abertura do evento, Raul Cutait, presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social da Fiesp (Consocial), alertou sobre as empresas em todo o mundo sentirem cada vez mais o peso da responsabilidade social em todas as suas atividades. “Temos que olhar as companhias não apenas como produtoras de riqueza, lucros, mas também como provedoras de bem-estar para toda a sociedade”.

Mas para que toda a discussão em torno da responsabilidade social tenha realmente efeito, Cutait prega que “cada conferência seja um momento de estímulo para que cada um dos participantes saia mordido para fazer um pouco mais nas suas áreas e locais de trabalho”.

Thomas Timm, secretário geral das Eurocâmaras, um dos palestrantes, ao tomar a palavra alertou sobre o fato de que “o objetivo sustentável para as empresas não são obrigações legais, infelizmente. Mas a Eurocâmara está engajada com as empresas em cumprir esses objetivos”. Ele observou que há fundos de investimentos que não podem investir em empresas que não possuem um balanço social.

O embaixador da União Europeia, João Gomes Cravinho, também presente no evento, pediu para que o empresariado olhe para a desigualdade social e a posição da mulher na sociedade brasileira. “Esses são os dois grandes obstáculos para o desenvolvimento do Brasil. Do lado da União Europeia, olhamos a temática da responsabilidade social como algo que é central à nossa filosofia de desenvolvimento. As dimensões econômicas, social e ambiental são apreciadas em conjunto”, destacou.

Cravinho falou também sobre a integração entre União Europeia e Mercosul, que deve conter temáticas de responsabilidade social. “O acordo ainda não está assinado, mas já tem esse capítulo do desenvolvimento sustentável”, revelou.

Ainda segundo o embaixador, os objetivos sociais não são só aumentar os fluxos comerciais, mas criar uma economia mais sustentável e empregos dignos. Ele lembrou que o custo é apontado como vilão para a implantação de ações de responsabilidade social. “Mas o custo está em não se adequar a essa realidade. Na Europa, preocupa-se com a responsabilidade social, e o custo aparece quando não há na cadeia a responsabilidade social. O desafio é olhar a responsabilidade social não como custo, mas como essencial para as empresas. E as empresas que não conseguirem fazer essa adaptação estarão encrencadas. Isso faz parte da globalização.”

Para o professor Pedro Lins, que coordenou um dos painéis do dia, “não importa se a empresa é grande ou pequena, todas têm de possibilidade de fazer”.

Para que o tema não ficasse apenas no campo do discurso, alguns exemplos foram apresentados. Estiveram presentes representantes da Schneider Eletric, Akzo Nobel, Grupo Tigre, Br Goods, Tetra Pak, EDP, ABIT e Grupo Malwee. Esse último, por exemplo, que atua no ramo de confecções e vestuário, não compra matéria-prima de fornecedores que não tenham certificado e que não respeitem a legislação brasileira. “Precisamos sensibilizar o consumidor. Fazemos algumas auditorias internas em fornecedores que garantem a qualidade do trabalho adequado. Qualquer desvio de trabalho, as auditorias repassam para a área de responsabilidade social da empresa”, contou Taise da Silva Beduschi, gestora de responsabilidade social da companhia.

Para o chefe da seção de assuntos comerciais da delegação da UE, Nicola Ardito, “a empresa que tem responsabilidade social é um ato de sucesso, agrega valor para seu produto”.

No final do evento, a diretora titular do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp, Grácia Fragalá, falou sobre a relevância desse tipo de evento. “Quando começamos, era uma tentativa de fincar uma bandeira. Essa parceria com a União Europeia e a 3ª conferência têm ajudado a consolidar esse pilar social, que é o mais difícil dentro da sustentabilidade. E o papel que a indústria tem é o de gerar empregos de melhor qualidade. Desenvolvimento da mão de obra de forma mais sustentável, pelo Senai. O emprego de qualidade ajuda a reduzir a desigualdade social”, finalizou.

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3ª Conferência Internacional de Conduta Empresarial Responsável – Brasil e União Europeia na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp