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Empresário ‘está perdendo o jogo da competitividade’, diz diretor da Fiesp

José Ricardo Roriz Coelho destaca que é preciso incentivar investimento produtivo; pesquisa da Fiesp mostra que rentabilidade de investimentos na indústria de transformação foi menor que embolsos de aplicações financeiras

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Roriz: “Normalmente um país com baixo crescimento faz é baixar a taxa de juros para promover o investimento. No Brasil estamos numa posição contrária. Temos uma das mais altas taxas de juros do mundo”,

Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinados à indústria de transformação em 2013 chegaram a 28% do total de financiamentos realizados pelo banco de fomento.

A taxa, que já chegou a 46% em 2010, manteve-se em 29% em 2011 e 2012, aponta um levantamento do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para acessar a pesquisa na íntegra, clique aqui.

A trajetória de queda desses desembolsos reflete a falta de perspectiva otimista do empresariado com o cenário econômico, avalia o diretor titular do Decomtec/Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho.

“Quando analisa as projeções e as possibilidades de aumento de vendas, de exportações e vendas no mercado interno, o empresário fica com receio porque ele está perdendo o jogo da competitividade aqui no Brasil”, afirma Roriz.

Para o produzir no Brasil, lembra Roriz, os empresários sofrem uma desvantagem de 34,7% nos custos comparado com outros países.

O diretor da Fiesp pede por uma estratégia de crescimento para o país, em que a indústria ocupe um papel central. Roriz também defende uma política de juros que incentive o investimento no país, contrária às medidas atuais, segundo ele.

“Normalmente um país com baixo crescimento faz é baixar a taxa de juros para promover o investimento. No Brasil estamos numa posição contrária. Temos uma das mais altas taxas de juros do mundo”, avalia. “É difícil crescer com essas taxas de juros.”

Segundo o levantamento “Implicações do Desempenho da Rentabilidade e da Margem de Lucro nos Investimentos da Indústria de Transformação”, elaborado pelo Decomtec/Fiesp, empresários que investiram na indústria de transformação entre 2008 e 2012 tiveram um rendimento de 47%, enquanto as aplicações financeiras renderam, durante o mesmo período, embolsos de 62% do valor total investido.

Em valores reais, de R$ 1 bilhão investido na indústria entre 2008 e 2012, houve retorno de R$ 469 milhões em rendimentos líquidos, já descontado o imposto de renda. Enquanto isso, o mesmo montante aplicado em uma aplicação financeira sem risco, como Renda Fixa, rendeu R$ 624,3 milhões no mesmo período.

“A indústria produz, investe, está gerando emprego, desenvolvendo inovação e tecnologia, enquanto na aplicação financeira o dinheiro está lá parado”, argumenta Roriz.

Futuro

Uma preocupação para o setor industrial, de acordo com Roriz, é a falta de uma estratégia clara para combater o arrefecimento da economia e, principalmente, o fraco desempenho da indústria.

“Então, a pergunta que se para o próximo presidente da República: qual é a sua estratégia para sairmos dessa situação ruim que o país está enfrentado hoje?”, questiona.

Para Roriz, impulsionar o investimento na indústria é “incentivar um investimento produtivo e não deixar o dinheiro parado no mercado financeiro rendendo mais.”

>> Folha de S. Paulo destaca estudo da Fiesp sobre investimento na indústria de transformação