Em reunião na Fiesp com participação de Rodrigo Maia, Skaf defende reformas

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Em reunião na Fiesp nesta segunda-feira (11 de dezembro) que teve palestra de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, sobre as reformas necessárias para o desenvolvimento brasileiro, o presidente da entidade, Paulo Skaf, defendeu a aprovação da reforma da Previdência.

Skaf elogiou a eficiência de Maia à frente da Câmara, com uma visão de estadista e atuação em favor da aprovação das reformas. “Agora temos um novo desafio, que é a reforma da Previdência.”

A informação correta se espalhou de forma significativa, levando a maior apoio da sociedade à reforma, mas ainda há um espaço de informação errada sobre o assunto, disse Skaf. “Vamos fazer bastante esforço para que os que apoiam a reforma sejam reconhecidos.”

Rodrigo Maia disse acreditar que o Brasil vive um momento diferente. Antes assuntos como as reformas eram evitados. “Conseguimos desmontar alguns mitos importantes”, afirmou, um deles sendo a aprovação da reforma trabalhista, cujo alcance, ressaltou, foi estendido na Câmara.

Agora há outras agendas importantes, talvez com impacto até maior que a trabalhista, afirmou. Sem uma reforma da Previdência não há como evitar uma crise fiscal, segundo Maia. Há distorções que precisam ser corrigidas. Precisamos recompor o superávit primário, para que pelo menos fique estável a relação dívida/PIB. Os congressistas precisam entender que essa agenda só sairá da pauta quando for votada. “Espero que até o final de 2018 seja possível avançar nessa agenda que vai tirar o Brasil da crise.”

Maia destacou duas vertentes de seu trabalho na Câmara – reforma do Estado como um todo e segurança jurídica para o setor privado poder produzir. O Estado precisa existir para garantir educação de qualidade, saúde e segurança, e hoje não faz isso, afirmou.

“Carga tributária menor, simplificada, com estabilidade fiscal e segurança jurídica e infraestrutura. O resto o setor privado resolve”, resumiu o presidente da Câmara.

O Estado precisa ser reformado, não apenas na Previdência, defendeu Maia. “Nosso papel é criar condições para que a União, Estados e municípios possam voltar a investir.” R$ 22 bilhões em investimento no orçamento é volume ridículo frente ao orçamento de R$ 1,4 trilhão, avaliou Maia. “E vai diminuir no ano que vem e no outro.”

Precisamos, disse, reorganizar o Estado brasileiro, reorganizar as relações entre o setor público e o setor privado. “Vou introduzir o debate sobre a eficiência do Estado.”

Outro ponto sério, apontou Maia, é o das estruturas de controle, que deveriam evitar os desvios, em vez de somente punir as fraudes.

Quanto à reforma tributária, não é simples, mas é preciso organizar de forma rápida o Estado. O Brasil está perdendo uma grande oportunidade de se modernizar –com a grande exceção do agronegócio- pela falta de condições de investimento, disse Maia.

Jacyr da Costa, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), disse que o entrave tributário inibe a fabricação de produtos de maior valor agregado.

Reunião na Fiesp com a participação de Rodrigo Maia, presidente da Cãmara. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Em referência à revolução na economia vivida no mundo, Maia disse que grandes organizações viram pó e empresas de garagem da noite para o dia viram corporações. Precisamos trazer essa inovação para o Estado brasileiro, afirmou.

O presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Cosag), Rubens Barbosa, disse que é preciso discutir a agenda da modernidade no Brasil. “Precisamos pensar em médio e longo prazo”, disse, citando os pontos listados por Maia. A reforma do Estado e a segurança jurídica, do ponto de vista empresarial, constituem uma agenda da modernidade. Pouca gente está focada nisso, disse. “Reformas estruturais significam modernização do Brasil.”

RenovaBio

Na abertura da reunião, Paulo Skaf destacou a vinda de Rodrigo Maia para a reunião e lembrou seu empenho para a aprovação do RenovaBio na Câmara. Skaf agradeceu a Maia, em nome do setor sucroalcooleiro de São Paulo, por sua competência no tema. Defendido pela Fiesp, o RenovaBio é um programa de incentivo ao uso de biocombustíveis.

Etanol

A reunião conjunta de Cosag e Coscex incluiu a apresentação de uma campanha em prol do uso do etanol feita pela Trouw Nutrition, braço para a nutrição do SHV, grupo de capital holandês com faturamento de 18 bilhões de euros e 60 mil empregados em todo o mundo. O slogan da iniciativa, lançada no último dia 4 de dezembro, é “Nossa frota é movida a etanol”.

“Os 160 veículos da nossa frota são movidos somente a etanol”, explicou o diretor presidente da Trouw, Stefan Mihailov. “Juntos, esses carros rodam 5,7 milhões de quilômetros por ano”.

Segundo Mihailov, o foco está no crescimento “econômico, social e ambiental”. “Nosso material de divulgação está à disposição das empresas, que podem inclusive usar tudo trocando apenas o nome”, disse. “O que nós queremos é estimular o uso do etanol”.

Outra convidada do conselho foi a deputada federal Tereza Cristina, que falou sobre o Fundo de Assistência ao Trabalhador (Funrural).

Segundo Tereza, foi realizada uma reunião com deputados sobre o tema, com a constitucionalidade do Funrural em debate. “São muitas as tentativas de negociação das dívidas dos produtores com o governo”, disse.

Atualmente existe uma Medida Provisória sobre o assunto. “O melhor da MP é o foco no futuro”, afirmou Tereza. “Por exemplo: 2,3% é uma alíquota alta para pagar sobre a produção bruta de uma propriedade”, disse. “Baixamos para 1,2% da receita bruta, conseguimos isso”.