Em entrevista ao Valor, diretor da Fiesp fala sobre boa oportunidade para acordo entre Mercosul e União Europeia

Thomaz Zanotto aponta importância da superação de impasses como as regras de origem

Agência Indusnet Fiesp

A aparente superação de problemas que emperravam o avanço das negociações entre o Mercosul e a União Europeia vem em boa hora, na avaliação de Thomaz Zanotto, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, entrevistado pelo jornal Valor Econômico nesta quarta-feira (18 de abril).

Zanotto destaca a convergência dos principais vetores de política econômica no Brasil e na Argentina, com ambos os países realizando reformas estruturais, buscando o equilíbrio fiscal e promovendo maior abertura comercial. Zanotto alerta que a janela de oportunidade agora aberta pode se fechar logo.

Para a Fiesp, explica Zanotto, negociar acordos comerciais é uma forma mais segura e inteligente para a abertura da economia brasileira. A redução unilateral de tarifas de importação reduz o poder de negociação do bloco regional com outros parceiros, além de ameaçar a produção e o emprego no país, especialmente em pequenas e médias empresas, que têm mais dificuldade para se adaptar em curto prazo.

A conclusão das negociações levará a aumento do fluxo comercial. Além disso, beneficiará a indústria nacional com a transferência de tecnologia, capitais e serviços. Exemplo do potencial do acordo com a União Europeia está no crescimento, de 74%, das exportações brasileiras para o bloco no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2017.

Dos pontos em que houve progresso na resolução de impasses Zanotto destaca as regras de origem. O setor têxtil brasileiro, por exemplo, defendia que para haver a menor tarifa em seu segmento seria preciso que fio, tecido e roupa fossem da região, mas os europeus se consideram importadores de fio e defendiam sua retirada da regra, o que acabou prevalecendo. Também parece ter havido avanços em relação à carne e ao setor automotivo.

Na análise de Zanotto, a negociação do acordo de livre comércio entre os dois blocos poderá ser concluída até o final deste ano, caso as conversas avancem na semana que vem, conforme a expectativa.