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‘Em defesa não se gasta; investe-se’, afirmou diretor do Comdefesa

Evento contou com palestras da Associação Brasileira da Indústria de Material Bélico (Abimde) e da empresa Odebrecht Defesa e Tecnologia

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Na manhã desta quarta-feira (24/09), alunos da Escola de Guerra Naval (EGN) da Marinha Brasileira participaram de encontro, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para se atualizarem sobre o estágio e os desafios da indústria nacional de defesa.

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Encontro do Comdefesa e alunos da Escola Naval de Guerra.Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O evento contou com as palestras do diretor titular adjunto do Departamento da Indústria da Defesa (Comdefesa), Sérgio Vaquelli, do vice-presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Material Bélico (Abimde), vice-almirante Carlos Afonso Pierantoni Gambôa, e do diretor da Odebrecht Defesa Tecnologia, o coronel reformado Oswaldo Oliva.

Sérgio Vaquelli, relembrou que o surgimento do Comdefesa da Fiesp, há oito anos, deu-se pela importância estratégica que o tema Defesa ganhou no país, pela necessidade de valorizar as missões constitucionais das Forças Armadas e para contribuir para o fortalecimento da indústria nacional.

Dentro de um panorama geopolítico, Vaquelli apresentou um comparativo sobre nível populacional, Produto Interno Bruto (PIB) e estratégias de defesa dos países do BRICs (Brasil, Russia, Índia e China) e dos Estados Unidos.

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Sérgio Vaquelli, do Comdefesa:. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Embora o Brasil não seja cenário de conflitos bélicos, o titular adjunto do Comdefesa destacou que encontra ameaças em seu entorno. “Temos disputas de fronteiras entre Venezuela, Colômbia e Peru; há tensão na fronteira do Uruguai e a Argentina; disputa por soberania entre Chile e Argentina; ameaças de fronteiras terrestres, por narcotráfico; no Peru, temos o Cendeiro Luminoso; e há a imigração ilegal. Enfim, temos esses conflitos que não podemos fechar os olhos. Isso faz parte de nosso dia a dia e é uma ameaça para nós”, avaliou.

No ranking de Gastos Mundiais de Defesa, Brasil ocupa a 12ª posição, sendo que boa parte desse gasto refere-se a despesas de pessoal. Contudo, na avaliação exclusiva de investimentos, o Brasil está numa posição bem inferior.

“A importância atual do Brasil no cenário mundial é incompatível com a atual indústria de defesa”, afirmou, ressaltando a necessidade de mudança de visão: “Em defesa não se gasta, se investe”.

Entre as principais dificuldades ao crescimento do setor de defesa no Brasil apontadas estiveram: o desafio econômico e orçamentário; garantias contratuais que, muitas vezes, impedem o acesso a fontes de recursos, e provocam contingenciamento; acesso a financiamento pelas pequenas e médias empresas; desafios regulatórios; formação de mão de obra qualificada e incentivo aos investimentos em pesquisa; desafio comercial para criar novos mercados no Brasil e exterior.

Vaquelli também citou a iniciativa, que tem apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Fiesp, o Instituto Senai de Inovação (Isi Defesa), que será instalado em São José dos Campos, que não será uma escola, mas um centro de desenvolvimento tecnológico de produtos.

A importância de parcerias

O vice-presidente executivo da Abimde, o vice-almirante Carlos Afonso Pierantoni Gambôa, proferiu, de forma bem informal, sua palestra, relembrando também os anos em esteve como comandante da Escola Naval de Guerra.

“Nenhuma profissão faz o que vocês estão fazendo”, afirmou solicitando total desempenho e atenção a esse investimento que a Marinha faz em termos de atualização profissional.

Gamboa também concordou com os desafios e dificuldades das empresas do setor apresentados por Vaquelli. “A situação da indústria é muito difícil. Muitas vezes, a gente não entende o empresário e o acha apenas como um cara rico. Tudo que estamos vendo nessa sala é feito pela indústria. O empresário é alguém que trabalha para pagar impostos e para ter lucro. E não é feio ter lucro. Posso dizer que 99% dos empresários não são vilões, muitas vezes o vilão é o governo que contingencia o orçamento e inviabiliza as compras”.

“Por outro lado, não adianta os empresários criticarem as Forças Armadas pois as Forças Armadas querem o melhor para o País. Nós temos que brigar com o Congresso que criam as Leis”, destacou.

Gamboa destacou que, nos últimos anos, o mundo e o país começaram a pensar mas em segurança e defesa. “Tivemos a descoberta do Pré-Sal, depois a Copa do Mundo, que todos falavam que seria um caos, mas deu certo. Com ela aprendemos que Defesa e Segurança tem que trabalhar juntos”.

O vice-presidente da Abimde apresentou uma série de produtos desenvolvidos pela indústria bélica nacional, desde radares, robôs, sistemas integradores, armas, mísseis, entre outros. Enter os produtos ele destacou a atuação do balão Horizonte que contribuiu para o monitoramento da área do Complexo Maré, no Rio.

“A Soberania de cada país é intangível. A soberania do Brasil depende da gente”, destacou o vice-presidente da Abimde. “Cabe a nós legar às novas gerações um país melhor”, disse, dirigindo-se aos alunos. “

Sobre a participação das indústrias de defesa no comércio internacional, Gamboa informou que, atualmente, 60 empresas brasileiras exportam. Ele elogiou o  movimento da Embraer e Odebrecht e, adquirir empresas pequenas . “Os produtos da Mectron hoje estão no mundo todo devido a Odebrecht”, destacou.  “A Globalização é um fato. E ninguém se esquiva de se fazer parceria no exterior, desde que seja bom para o Brasil. O Brasil é um bom parceiro”, concluiu.

Aquisição e Transferência de Tecnologia

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Oswaldo Muniz, da Odebrecht Defesa e Tecnologia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na sequência o diretor da Odebrecht Defesa e Tecnologia, o coronel reformado Oswaldo Oliva, apresentou a estrutura do grupo Odebrecht no Brasil e no mundo e afirmou que o foco da Odebrecht Defesa e Tecnologia é desenvolver projetos complexos. “Ela vai trabalhar no reaparelhamento das Forças Armadas, desde que tenham o domínio das tecnologias. Ela provedora de serviços da inovação”, explicou.

O executivo informou que a empresa trabalha e desenvolve produtos em diversas áreas como: Comunicações, Bombas Guiadas (Mísseis), Radares, Satélites, Monitoramento Naval e Embarcações.

Entre os produtos da empresa, ele destacou a linha de radares que foram desenvolvidos e que serão ser usados nas aeronaves da Rússia. Ele também destacou o projeto Pro-Sub. “Esse projeto tem a missão de capacitar o Brasil e construir um submarino de forma independente. Um primeiro bloco é a capacitação, treinamento e a construção de estaleiro. O projeto do submarino é francês. Mas, ao longo desse processo, deveremos estar totalmente capacitados para desenvolver e projetar e construir essa tecnologia integralmente no Brasil, que é a segundo bloco do projeto”.

Oliva também informou que a Odebrecht irá criar uma nova empresa para resolver um grande desafio para o setor, que é o de adquirir uma quantidade enorme de engenheiros que o projeto de um submarino desse porte exigirá.Encontro do Comdefesa e alunos da Escola Naval de Guerra.Foto: Helcio Nagamine/Fiesp