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Presidente da Fiesp diz que empresários querem investir, mas falta confiança

Benjamin Steinbruch analisou o atual momento econômico em encontro com empresários da região. Reunião teve a participação do presidente do Ciesp, Rafael Cervone

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp, de Campinas

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, participou na noite de terça-feira (26/08) de um encontro com empresários da região de Campinas, na sede do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) local.

Ao lado do presidente do Ciesp, Rafael Cervone, ele defendeu a união dos empresários para que suas demandas sejam ouvidas. “As dificuldades que nós, empresários, passamos no dia a dia estão muito mais ligadas ao entorno da produção do que a realidade da produção”, disse Steinbruch. “O tempo que se perde com coisas que não voltadas ao nosso negócio é completamente absurdo.”

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Steinbruch: muitas das sugestões e demandas dos empresários paulistas são convergentes. Por isso, observou, é fundamental a união. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O presidente da Fiesp fez uma análise do quadro econômico atual. E a perspectiva, segundo ele, é ruim. “O que a gente está vendo e se acostumando não está certo. A gente tem que reagir. Melhoramos nos últimos 20 anos. Mas poderia melhorar muito mais. Vamos nos conformar em voltar para trás?”, questionou.

Na análise de Steinbruch, 2015 será um ano difícil, independentemente do presidente eleito. “Se o governo fizer tudo certo agora, a gente teria uma recuperação de mercado só depois do carnaval. Mas como vamos fazer até o carnaval? A gente não tem prazer nenhum em diminuir a produção, não investir. Pelo contrário. Mas é preciso ter confiança. E ninguém tem confiança hoje. Não faz sentido para ninguém, em sã consciência, investir hoje no Brasil.”

Para o presidente da Fiesp, muitas das sugestões e demandas dos empresários paulistas são convergentes. Por isso é fundamental a união. “Se a gente tiver uma discussão no sentido de pensar o que precisa ser feito para o Brasil melhorar, todos temos sugestões. E provavelmente muitas delas são convergentes. Se cada um se posicionar e convergir para uma bandeira maior, a gente certamente vai ser ouvido”, declarou.

“Precisamos da vontade e da disposição de todos vocês, de se unir à Fiesp no sentido de ter uma bandeira única, de ter convergência dentro dos ideais, e começar a trabalhar.”

Rafael Cervone: crítica à ‘imprevisibilidade’

Em sua participação, o presidente do Ciesp também ressaltou a necessidade de mudanças.

“Ninguém aguenta mais esse ambiente onde, em vez de gastar o nosso tempo empreendendo e melhorando os nossos negócios, a gente tem que lidar com a imprevisibilidade econômica e jurídica, enquanto nossos principais concorrentes [em outros países] não têm que lidar com nada disso”, disse Cervone.

“Este ano o crescimento vai ser pífio e o ano que vem, qualquer seja o candidato [eleito], será um ano de arrocho. Mas o Brasil tem solução. Deixar a indústria livre para crescer sem amarra, sem burocracia, com desoneração, com simplificação dos nossos processos e consciência plena da importância da indústria para a economia nacional.”