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Elias Gleizer no InteligênciaPontoCom: ‘No Sesi-SP, aprendemos a respeitar o público’

Para celebrar os 50 anos do Teatro, o bate-papo também contou com a atriz Bárbara Paz

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp 

“É uma grande emoção voltar a este palco maravilhoso”, afirmou o ator Elias Gleizer, que subiu ao Teatro do Sesi São Paulo, na capital paulista, na noite desta segunda-feira (16/06), ao lado da atriz Bárbara Paz e da jornalista Rogéria Gomes para um bate-papo descontraído em mais uma edição do InteligênciaPontoCom, que celebrou os 50 anos do Teatro Popular do Sesi-SP.

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InteligênciaPontoCom celebra 50 anos do Teatro Popular do Sesi-SP com plateia lotada e bate-papo entre o ator Elias Gleizer, a jornalista Rogéria Gomes e a atriz Bárbara Paz. Foto: Everton Amaro/Fiesp


“Eu estreei ‘O Poeta da Vida’ neste teatro, mas não havia poltronas e o primeiro público eram os peões da obra do teatro”, lembrou Gleizer ao relatar que, embora a lotação do teatro seja de aproximadamente 450 pessoas, ele já se apresentou para mais de 800 pessoas.

“Havia brigas na porta. Tínhamos medo de aparecer a fiscalização, mas isso para o ator é muito gratificante. O Sesi-SP ensina o ator a improvisar”, disse. “Cheguei para substituir o Claudio Correa e Castro e fiquei aqui por 11 anos”, contou.

“Nós aqui no Sesi-SP aprendemos a respeitar o público, qualquer público”, afirmou Gleizer ao lembrar que os espectadores tinham que trazer as cadeiras de casa. “Eles traziam os filhos pequenos e cachorros, porque não tinham com quem deixar e vinham de muito longe para assistir às peças. Nós aprendemos a respeitar esse público.”

Para o povo 

Para Rogéria, a importância do Teatro do Sesi-SP está na essência de sua criação, pois ele já foi pensado para o povo, para o operário. “Um teatro com ingresso gratuito e elevado teor artístico nas realizações: isso para nós é uma celebração”, afirmou a jornalista ao ressaltar que tudo começou de forma amadora e foi se profissionalizando. “Hoje passam por aqui diretores da maior qualidade. Qualquer ator precisa passar por esse palco para entender o que é o teatro. O Teatro Popular do Sesi-SP é o Brasil que dá certo”, disse.

Barbara Paz concorda. “O Teatro do Sesi-SP é um formador de público de teatro. Até hoje sou reconhecida pela primeira peça em que atuei aqui há 15 anos. Isso é incrível!”, contou a atriz, que elogiou a infraestrutura que o Sesi-SP oferece para os atores: “as pessoas têm carência por teatro e quando encontram espetáculos gratuitos, com a estrutura que o Sesi-SP, todo dia tem público”, disse.

“O que a gente recebe do público aqui é alimento para a nossa carreira. Não quero nunca que o Sesi-SP saia da minha vida.”

Alimento da alma

“O teatro me formou não só como atriz, mas como ser humano. Com o teatro, aprendemos a escutar, porque teatro não se faz sozinho”, explicou Barbara Paz, que acredita que a peça pode ser a mesma, mas nenhum espetáculo é igual ao outro.

“O ator é movido pela paixão. Eu descobri no teatro um espaço para onde eu podia voltar sempre e ser várias pessoas”, disse a atriz que teve o apoio de Rogéria: “teatro talvez seja a arte que mais se aproxima da vida do ser humano, porque vivemos o drama e a comédia”.

Para a jornalista, uma prova clara disso era o teatro quase lotado durante o evento: “Copa do Mundo e plateia cheia: o teatro está batendo um bolão”, brincou.

Antes e depois

Na opinião dos convidados, o teatro de 50 anos atrás é diferente daquele feito nos dias de hoje, não só no que se refere à infraestrutura, mas em relação aos atores também. “Hoje em dia, os atores são mais responsáveis. Antigamente, você saía de um espetáculo e ensaiava a outra. Daí havia confusão com as falas”, explicou Gleizer.

Para ele, o ensaio é muito mais importante no teatro do que na televisão. “Não dá para se fazer uma peça em um dia. Na televisão você adquire a experiência do improviso, o que é muito importante para o teatro, onde muitos vezes temos brancos e causa um pânico no elenco todo. Fiz muito teleteatro também, que era ao vivo e você tinha que improvisar”, disse.

Para Bárbara, a televisão é um estudo muito solitário, ao contrário do teatro, que é um trabalho em conjunto. “Eu não decoro os textos, eu estudo a peça. Isso ajuda no improviso”, disse a atriz.

Rogéria lembra que, antigamente, as filas do Teatro do Sesi-SP eram tão grandes que as pessoas achavam que era fila de busca por empregos. “Naquele tempo, as companhias de teatro trabalhavam de segunda a segunda, com pouquíssimas folgas, além dos ensaios. Hoje em dia, as companhias se esvaziaram. Mas uma coisa ainda é comum às épocas: o ator não desiste do teatro”.