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Economia Digital pode puxar crescimento econômico do Brasil, avalia embaixador norte-americano

Opinião de Michael McKinley, que falou durante conferência realizada pela Fiesp em parceria com o governo dos Estados Unidos, foi compartilhada pelo diretor-titular adjunto do Derex, Mario Marcolini

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

O momento atual para o Brasil discutir a economia digital é mais do que importante para sua recuperação econômica uma vez que o ritmo da inovação cresce a uma velocidade sem precedentes, revolucionando não apenas a maneira como nos comunicamos mas como fazemos negócios. E porque o Brasil é um dos cinco principais mercados para as maiores empresas de tecnologia do mundo, como Facebook, Netfix ou Salesforce. A opinião é de Michael McKinley, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, que falou durante a Conferência sobre Economia Digital Brasil Estados Unidos, evento realizado nesta quinta-feira (26 de outubro) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com o governo dos Estados Unidos.

Coordenado pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) a Fiesp, o evento reuniu líderes dos setores público e privado para a discussão sobre o futuro da economia digital, suas oportunidades, desafios, competitividade e processos regulatórios, além dos impactos de sua implementação nas indústrias. Para o embaixador norte-americano, o Brasil não é apenas um dos cinco principais mercados como também apresenta enorme potencial de crescimento, já que apenas 60% da população brasileira está online atualmente. “Além de aumentar o investimento e acesso à internet, as tecnologias inovadoras podem elevar a produtividade. Hoje, setores inteiros estão se transformando e à medida que se tornam mais produtivos novas questões surge sobre o futuro do trabalho”, diz McKinley.

Holly Vineyard, primeira subscretária adjunta do Departamento de Comércio dos Estados Unidos lembrou que a economia digital é a economia mundial, reforçando a importância do encontro entre os dois países, a troca de experiências e a parceria com o Brasil para o desenvolvimento de uma regulação adequada para a economia digital. Também falou do potencial brasileiro dentro da tecnologia digital. Mario Marcolini, diretor-titular adjunto do Derex. ratificou a ideia dizendo que a economia digital talvez seja a mais importante hoje mundialmente e admite o atraso do Brasil em relação a sua implementação.

“Chama a atenção quando falamos em fluxos comerciais porque hoje eles já foram superados pelos fluxos digitais, que crescem 45 vezes desde 2005. Mas o Brasil, infelizmente, está um pouco atrasado tanto no debate quanto na execução de tudo o que é necessário para avançar nessa área da economia digital, diz Marcolini. Hoje, no Brasil, diz o diretor do Derex, olhando para a economia digital do ponto de vista das empresas, 43% delas não identificam quais tecnologias teriam potencial para alavancar a competitividade, ou seja, quase a metade delas desconhece as vantagens dessa evolução digital e como ela poderia melhorar sua competitividade.

“É aí que a Fiesp, por meio do Derex, vem trabalhando para tentar informar as empresas”, diz Marcolini. “Uma coisa que chama a atenção é a possibilidade que se tem hoje com a economia digital de ter micromultinacionais, empresas que são muito pequenas ou médias e que podem se conectar com o mundo inteiro.”, diz Marcolini. Segundo ele, há várias startups que já nascem multinacionais, mal nascem e já estão interagindo com o mundo. Sem falar, diz o executivo, do que tudo isso representa para a vida das pessoas:  são 900 milhões nas redes sociais e a contribuição dos fluxos digitais para o mundo também. Hoje, os fluxos digitais representem 10% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, estimados em US$ 7,8 trilhões.

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Oportunidades e desafios da economia digital foram discutidos em evento pomovido pela Fiesp em parceria com governo norte-americano. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

No Brasil, perto de 48 milhões já fizeram ao menos uma compra virtual. Estamos falando de compras digitais de R$ 44 bilhões, ou 4% do varejo brasileiro, montante ainda muito baixo se comparado a outros países. “Uma coisa importante é que, infelizmente, quando o Brasil fizer tudo o que ele precisa fazer para estar no nível razoável na área digital, ainda assim ele estará apenas se  equiparando aos seus competidores. Não que isso se transformará em uma vantagem competitiva necessariamente. Temos uma lição de casa a fazer apenas para cegar onde outros que competem com o Brasil no mercado internacional já estão”, diz o diretor do Derex.

Thiago Carmargo Lopes, secretário de política de Informática (Sepin), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. reforça afirmando que este é o momento de fortalecer os objetivos comuns de Brasil e Estados Unidos. Lembrou que, no passado, discussões como a de proteção de dados, chegou a afastar o país do norte-americanos, mas que hoje a discussão aproxima os dois países. Falou do Plano Nacional da Internet das Coisas, em discussão dentro do BNDES, e da participação do governo nas discussões para a implementação do padrão de 5G junto com os Estados Unidos, o Japão e a Europa. “Discussão que o Brasil sempre saiu atrás, mas que agora faz parte dessa discussão”, concluiu.

O embaixador Mackinley lembrou que as inovações são inevitáveis e as politicas que escolhermos agora terão impacto significativo no crescimento da economia digital entre as principais economias, E, mais uma vez, citou o Brasil com destaque; “Entre as principais economias do mundo onde se prevê um grande crescimento da economia digital até 2020, o Brasil aparece em 5º lugar.