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‘É preciso produzir mais com custos mais baixos’, diz segundo vice-presidente da Fiesp no 13º Congresso da Micro, Pequena e Média Indústria

José Ricardo Roriz Coelho falou sobre competitividade, desafios e indústria 4.0 em palestra na manhã desta segunda-feira (28/05)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Fazer a lição de casa é acompanhar as mudanças do mercado. E buscar um reposicionamento estratégico”. As palavras do segundo vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, foram um convite ao crescimento para os empreendedores. Mais especificamente para aqueles presentes ao segundo dia de debates do “13º Congresso da Micro, Pequena e Média Indústria (MPI) – Conecta Indústria: Faça seu negócio estar presente no futuro”, aberto neste domingo (27/05). Roriz Coelho apresentou, na manhã desta segunda-feira (28/05), na sede da federação, em São Paulo, a palestra “Indústria: Modernizar para o futuro”.

“Toda crise passa”, disse Roriz Coelho. “A grande saída é vender, não só aqui, mas no mercado internacional também. Será que nós somos competitivos?”, destacou.

Sobre esse ponto específico, ele apresentou uma pesquisa que mostra que, numa lista de 43 países que juntos respondem por 90% do PIB mundial, o Brasil ficou, entre 1997 e 2016, oscilando entre a 39º e a 42º posição em matéria de competitividade. “Temos o maior spread bancário desse grupo, a maior taxa de juros reais e a maior volatilidade cambial”, disse. “Também somos os primeiros em burocracia tributária”.

Para se ter uma ideia, conforme estimativa elaborada pela Fiesp, um investimento de R$ 1 bilhão feito entre 2012 e 2016 no país renderia R$ 556 milhões se aplicado em renda fixa e R$ 411 milhões na indústria.

“Quando falamos do Brasil do futuro, não adianta querer achar que alguns problemas precisam ser resolvidos:  temos é que arrumar a casa”, disse Roriz Coelho. “Temos que ter um sistema menos burocrático, promover a modernização do estado com um governo 4.0, acelerar as reformas econômicas, implementar medidas de redução dos juros e do spread bancário”, afirmou. “A taxa selic caiu e os bancos continuam mantendo as suas margens de lucro”.

No item desindustrialização, entre os 20 países com mais de 40 milhões de habitantes que representam 70% do PIB mundial, fomos aquele que mais se desindustrializou, chegando a apenas 11,9% do PIB.

O país tinha 2,1% da indústria mundial em 1995, percentual que passou para 1,6% em 2016.

Para o segundo vice-presidente da Fiesp, é necessária uma “visão de longo de prazo” acompanhada de um “programa de atração de investimentos e avaliação de resultados”.

“Exportamos poucos produtos processados”, disse. “O Leste Europeu e os Estados Unidos passam por um processo de crescimento populacional e da renda”, explicou. “Isso pela produtividade:  a indústria 4.0 é um caminho,  é preciso produzir mais com custos mais baixos”.

Para Roriz Coelho, o investimento em tecnologia gera riqueza. “Nos Estados Unidos, as cinco maiores empresas de tecnologia têm valor de mercado quase três vezes superior ao das cinco maiores empresas não tecnológicas”, explicou.

4.0  

De acordo com ele, a Indústria 4.0 abrange várias tecnologias que se integram verticalmente na empresa e horizontalmente dentro da cadeia de suprimentos. “Temos a Interligação das máquinas e entre as máquinas e as pessoas”, disse.

Isso envolve pontos como big data, inteligência artificial, internet das coisas e robótica, entre outros.

Os benefícios para as empresas, conforme Roriz Coelho, envolvem a redução dos custos de manutenção entre 10% e 40% e do consumo de energia entre 10% e 20%. Já o aumento da eficiência no trabalho é estimado entre 10% e 25%. “São fábricas inteligentes, a internet é inclusiva”, disse. “É uma combinação de escala com flexibilidade, customização, menores custos e maior produtividade, maior valor agregado ao produto”.

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Roriz Coelho: foco na produtividade a partir do investimento em tecnologia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp