Disputa de criação de aplicativos da Fiesp inclui necessidades da indústria automotiva - FIESP

Disputa de criação de aplicativos da Fiesp inclui necessidades da indústria automotiva

Vencedor da edição passada do Hackaton deve apresentar aplicativo de doação de sangue para o Ministério da Saúde

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Sylvio Gomide, do CJE, em abertura do terceiro Hackathon: "mais de 500 participantes dispensa comentários". Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Centenas de programadores, designers e empreendedores vão passar as próximas 24h criando aplicativos para melhorar o cotidiano das áreas da saúde, educação e segurança pública na terceira edição do Hackathon, torneio organizado pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A disputa, que se diferencia por montar equipes multidisciplinares (programador, designer e empreendedor), já rendeu frutos. Manoel Neto é um dos criadores do Heroes, aplicativo para tablets e smartphones que facilita a doação de sangue, e, além de ter recebido apoio da Cruz Vermelha e da Fundação Pró-Sangue, deve se reunir com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, na próxima semana para apresentar o projeto, que venceu a edição do primeiro semestre deste ano.

“O próximo passo agora é sentar com o ministro e transformar esse aplicativo num projeto nacional, ou seja, já impactou na indústria [de saúde]”, comentou o diretor do CJE, Sylvio Gomide, antes da abertura do terceiro Hackathon neste fim de semana.

Neto é presidente da ONG Instituto Colabore, criada em 2013 para atender demandas do terceiro setor. Foi a primeira vez que ele participou de uma disputa como o Hackathon.

“É fantástico. A Fiesp inovou com o modelo de equipe multidisciplinar porque a partir daí já pode sair uma startup, por exemplo”, contou o vencedor. “Vamos lançar esse aplicativo aqui na Fiesp com a presença do ministro da saúde”, completou ao acrescentar que a ONG tem “vários aplicativos desenhados”.

Neto participa dessa edição do Hackathon não mais como competidor, mas como organizador do evento.

Indústria automotiva

A novidade do Hackathon neste semestre é a inclusão da categoria de aplicativos para a indústria automotiva. Os competidores, separados em grupos de cinco, devem idealizar e desenvolver plataformas de conectividade do motorista com o seu carro.

“Durante 24h, os participantes podem criar um aplicativo para, por exemplo, alterar a segurança ou o tempo de trânsito e como isso vai conversar como carro”, explicou Gomide, do CJE.

Em uma breve apresentação sobre veículos conectados durante a abertura do Hackathon, Paulo Carvalho Diniz Júnior, engenheiro da Renault, afirmou que a próxima grande evolução do setor serão os carros com conectividade.

Uma das dicas que Júnior deixou para os competidores é a da flexibilidade, que segundo ele “é essencial porque não temos como conseguir uma coisa mais perene pensando só na tecnologia de hoje”. O engenheiro também é um dos mentores que vão auxiliar os criadores de aplicativos até este domingo.

Hackathon em números

Competidores ouvem Avi Alkalay, da IBM, em terceira edição do Hackathon. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Questionado sobre a evolução da disputa que teve sua primeira edição em meados de 2013, Gomide preferiu mostrar a trajetória do Hackathon em números.

“A primeira [edição] foi no segundo semestre do ano passado e tivemos 35 inscritos. Na segunda foram 250 participantes e nessa edição, entre hoje e amanhã aqui na Fiesp, serão 500 participantes entre programadores, designers, promotores, criadores de aplicativos e também empreendedores que dão o seu pitaco”, calculou Gomide.

Ele destaca ainda a importância da participação de um empreendedor no processo de criação do aplicativo. “Não adianta ter um cara de programa, outro de desenho, se isso não tem venda, se não há alguém de empresa com visão de negócio”, completou.

Os participantes vão passar o fim de semana desenvolvendo suas ideias e as transformando em aplicativos. Barracas serão instaladas nas dependências da sede da Fiesp para abrigar os mais cansados.

Na manhã deste sábado os competidores receberam dicas em um bate-papo com profissionais como o engenheiro Paulo Carvalho Diniz Júnior, da Renault, Avi Alkalay, da IBM Brasil, e Luís Leão, do Google.

“Isso que estamos envolvidos aqui gera tecnologia e é um fator estratégico para qualquer empresa, lembrem sempre disso”, disse Alkalay, da IBM aos competidores.

Neste domingo (21/09) serão conhecidos os grupos vencedores. Os melhores aplicativos são escolhidos por uma mesa julgadora que avalia a funcionalidade, viabilidade de mercado e outros aspectos da plataforma.