Dia Estadual de Combate ao Contrabando reúne especialistas na Fiesp - FIESP

Dia Estadual de Combate ao Contrabando reúne especialistas na Fiesp

Mercado ilegal representa perdas anuais de R$ 130 bilhões no país

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Em um trabalho conjunto com mais de 70 entidades, a Fiesp sediou nesta quinta-feira (3 de agosto) o primeiro Dia Estadual de Combate ao Contrabando. A data, lançada pela Frente Parlamentar Mista de Combate ao Contrabando e à Falsificação em junho deste ano, propõe um dia de debate sobre um problema que já representa perdas de R$ 130 bilhões por ano no Brasil, somando arrecadação tributária e faturamento das indústrias.

Da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), o diretor Rodolpho Ramazzini disse que o Estado paulista nunca foi tão prejudicado pela ilegalidade como é atualmente. “Houve um aumento do comércio transacional e um aumento da tributação sobre o setor produtivo, aliados a uma grave crise econômica, uma diminuição da fiscalização por falta de orçamento dos órgãos competentes”, afirmou.

Ramazzini citou o setor de cigarros como o campeão de falsificações, seguido por eletroeletrônicos, confecções, bebidas, materiais elétricos, setor ótico, produtos de luxo, ferramentas e cosméticos. “De cada dez cigarros vendidos no país, três são contrabandeados. É um problema de saúde pública, arrecadação tributária e social”, detalhou.

O diretor do Departamento de Segurança da Fiesp (Deseg), Roberto Costa, contou que a percepção da indústria sobre a ação de mercados ilícitos no Estado de São Paulo avançou no ano passado, segundo dado prévio da pesquisa de Vitimização da Indústria que será lançada na íntegra em outubro pelo Observatório de Mercados Ilícitos da federação.

De acordo com o estudo, quase metade das empresas analisadas passou por algum problema dessa natureza entre 2015 e 2016. Costa afirmou ainda que um dos principais problemas causados por esses mercados é a degradação do comércio e da indústria locais e o fortalecimento da atividade criminal, criando subsídios financeiros e armamentícios para quadrilhas.

Na avaliação do presidente do Sindicato da Indústria do Fumo no Estado de São Paulo (Sindfumo), que também é diretor de Relações Institucionais da Souza Cruz, Fernando Bomfiglio, o Brasil vive um problema de guerra civil e moral. “Nunca vi uma situação como a do Rio de Janeiro atualmente, em que nas férias de julho os hotéis têm apenas 10% de ocupação”, contou Bomfiglio.

Para ele, as cidades concentram os piores problemas do país, e o combate a esta realidade exige inteligência estratégica. “Em 2017, foram pelo menos 92 policiais mortos, 92 famílias. Isso não pode ser normal”, lamentou o executivo.

Participaram do encontro o presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), Edson Vismona, o delegado da Polícia Federal, Carlos Eduardo Pellegrini, o chefe da Divisão de Repressão da Receita Federal em São Paulo, Alan Towersey, e o superintendente da Polícia Rodoviária Federal, Valmir Cordelli.