imagem google

Desafio da redução do desperdícios de água é debatido no L.E.T.S.

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Uma dos grandes desafios enfrentados no estado de São Paulo, a redução das perdas na distribuição de água foi um dos temas discutidos durante a Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.) nesta terça-feira (20/05) . A coordenação do debate foi de Alceu Guérios Bittencourt, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Não adianta aumentar os investimentos se não se controlar e medir os resultados adequadamente”, afirmou Bittencourt.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539818744

Berenhauser, da Enops: modelo de gestão para reduzir perdas. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Carlos José Teixeira Berenhauser, da Enops Engenharia, apresentou um novo modelo de gestão, por meio de contratos de performance para redução de perdas de água.

Como ações para a redução das perdas aparentes, Berenhauser elencou a implantação da medição de vazão, política da substituição de medidores, aprimoramento das equipes de leitura, recadastramento comercial, pesquisa de fraudes, levantamento de perfil de consumo e dimensionamento de hidrômetros e telemetria de grandes medidores.

Para falar sobre as perdas reais, o especialista apresentou o esquema da Cruz de Lambert. “Tem quatro ações principais para trabalhar com a perda real: controle de pressão, controle ativo de vazamentos, gerenciamento da infraestrutura, velocidade e qualidade dos reparos.”

Berenhauser explicou a remuneração por desempenho ou performance. “É um formato que já está sendo aplicado há cerca de três anos, mas é considerado novo porque o mercado de saneamento ainda é muito tradicional”, disse.

“Surgiu por uma necessidade das empresas de saneamento e possibilita a ampliação do mercado, já que pode atuar em clientes descapitalizados, tem uma remuneração diferenciada baseada na expertise da contratada e oferece mais liberdade na proposição de ações e metodologias.”

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539818744

Emyr Diniz Costa Junior, da Odebrecht: tema de perda tem que ser visto como algo relacionado com a sustentabilidade. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Com uma visão mais ampla sobre o tema da redução das perdas, Emyr Diniz Costa Junior, da Odebrecht. “A coisa mais importante na questão das perdas é que ela é como a morte e o imposto de renda: não podemos evitar e ocorre a qualquer um”, brincou. “As perdas ocorrem em todos os sistemas, mas o que podemos fazer com algo que não podemos evitar? É preciso gerenciar.”

Mas como fazer essa gestão das perdas? De acordo com o representante da Odebretch, é como tratar uma doença. “A gente primeiro quer conhecer o problema, saber qual o tamanho dele, como ele é tratado”, comparou. “Com relação às perdas, já existem as melhores práticas, órgãos que criaram tabelas em que é possível classificar as perdas, para assim saber qual o remédio dar para cada uma delas.”

Entre as ações para reduzir as perdas, ele indica o controle eficiente das perdas físicas e das perdas comerciais e encontrar o nível econômico de perda. “O tema de perda tem que ser visto como algo relacionado com a sustentabilidade. Não explorar a natureza mais do que ela pode nos dar; ela vai continuar dando água para a gente. Promover ações de consumo consciente e trabalhar na redução de perda, que está do lado das companhias de água e saneamento no Brasil.”

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539818744

Anicia Pio, do DMA da Fiesp: redução de perdas é fundamental para a sustentabilidade hídrica. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Representando o Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Anicia Pio, afirmou que a redução de perdas é fundamental para a sustentabilidade hídrica. “Toda vez que eu tiro água da natureza, trato essa água, mas ela não chega ao usuário final, e eu terei que demandar mais água para atender essa população. Vou precisar sempre, que é o caso que estamos vivendo agora em São Paulo, buscar novos mananciais para suprir essa necessidade”, comentou.

“Imaginem uma indústria que produz uma tonelada de tecido por mês mas perde 40%, a metade. Certamente essa empresa iria quebrar. Mas essa é a realidade do setor de saneamento. Sem dúvida que é possível fazer melhor. É difícil, mas é possível fazer”, afirmou  Anicia.

Para a gerente do DMA, mais do que buscar mais recursos hídricos, é importante também trabalhar para reduzir as perdas. “Será que eu preciso continuar buscando água a 100, 200, 300 km de distância para abastecer a população, com esses níveis de perda do nosso sistema de saneamento? Será que a redução de perdas não é uma ação extremamente urgente e necessária para que eu possa minimizar esse problema hoje?”, questionou.

Anicia falou sobre as iniciativas promovidas pela Fiesp, como a publicação de guias, as parcerias com universidades para a produção de materiais sobre conservação, uso racional e reuso de água e o Prêmio Fiesp de conservação e reuso de água. Outra ação foi a racionalização do uso da água no edifício sede da entidade, feito por meio de contrato de performance.

“Não desembolsamos nenhum centavo, conseguiu uma economia de cerca de 40%, que é a média que você consegue imediatamente quando faz a troca de equipamentos, reduz pressão na rede e faz monitoramento, em qualquer prédio comercial ou residencial.”

L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico. O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets