Fiesp lança publicação que avalia problemática das imprevisibilidades nas obras no Brasil

De acordo com Manuel Rossitto, diretor do Deconcic, um dos idealizadores de publicação, principal gargalo é a gestão pública

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Publicação do Deconcic/Fiesp

O Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) levantou as chamadas imprevisibilidades que impedem o andamento e a entrega de obras no Brasil.

O resultado é a publicação “Responsabilidade com o Investimento: criar novas leis ou ajustar as existentes?”, que apura os obstáculos ao bom ritmo de execução de obras.

Na avaliação do diretor titular adjunto do Deconcic e coordenador do Grupo de Trabalho “Responsabilidade com Investimento”, Manuel Rossitto, o maior entrave neste caso é a gestão pública.

“Os principais gargalos hoje são a gestão e a governança pública”, diz Rossitto, um dos idealizadores da publicação, já disponível para download no site da Fiesp.

O conteúdo da publicação aponta as fragilidades do setor de construção em diversos itens: projetos, desapropriação de áreas, serviços públicos, licenças ambientais, regulação, burocracia, liberação de recursos, mão de obra e insumos.

“Outro [gargalo] é que todos os atores envolvidos não têm prazo, nem os atores da sociedade nem os do governo. Eles não têm prazo para dar resposta às necessidades para que uma obra continue e seja concluída no prazo”, explica o diretor.


Obra boa é ‘obra rodando’

A publicação faz parte de uma estratégia do Deconcic, pautada pelo levantamento de problemas e soluções para o setor. As propostas devem ser debatidas e apresentadas em forma de documento para as administrações públicas no 11º ConstruBusiness – Congresso Brasileiro da Construção, a ser realizado no dia 4 de dezembro desse ano.

“Com o mapeamento dos gargalos e ouvindo a sociedade, vamos apresentar as propostas com sugestões para os próximos governantes, as quais serão entregues no evento”, completa Rossitto.

Ele conta ainda que a motivação para fazer esse trabalho é a necessidade de manter obras em funcionamento no país e cumprir os prazos de entrega.

“Obra boa é ‘obra rodando’. Aquela que acaba no prazo, com qualidade, sustentabilidade, custos controlados e com respeito ao meio ambiente e às questões sociais”, defende o diretor.

“O que está acontecendo com as nossas obras? Elas simplesmente não acabam, e quando acabam demoram mais que o prazo previsto, custam muito mais e a sociedade demora muito mais tempo para ter o benefício do investimento”, conclui.

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