Deconcic vê início da recuperação da cadeia produtiva da construção em 2018

Vendas de materiais de construção crescem 6,7% no primeiro bimestre, e produção de materiais aumenta 3,3%

Agência Indusnet Fiesp

Em sua primeira reunião plenária do ano, realizada nesta segunda-feira (16 de abril), o Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Deconcic) apresentou os números de 2017 e início de 2018 da cadeia produtiva da construção, debatendo suas perspectivas de crescimento em meio ao atual cenário econômico e político.

O diretor titular do Deconcic-Fiesp, Carlos Eduardo Pedrosa Auricchio, falou da importância da participação das lideranças setoriais nesse início de reversão da crise que afetou o setor nos últimos anos. Entre as ações mencionadas por Auricchio está a campanha da Fiesp “Chega de Engolir Sapo”, que combate os juros mais altos do mundo cobrados no Brasil, com forte impacto nos investimentos em obras de infraestrutura e desenvolvimento urbano.

A construção em números

O consultor do Deconcic-Fiesp Fernando Garcia apresentou a evolução dos investimentos em obras, do Produto Interno Bruto (PIB) e do emprego na cadeia produtiva da construção, mostrando um início de reversão da queda vista no setor a partir do segundo semestre de 2017. O fechamento de postos de trabalho, da ordem de 430.000 no primeiro semestre do ano passado, por exemplo, se mostrou atenuado a partir da segunda metade do ano, encerrando 2017 com saldo negativo de 232.000 postos.

Em 2017, os investimentos em obras e serviços corresponderam a 8,5% do PIB brasileiro, chegando a R$ 557,1 bilhões – queda de 0,6% em comparação com o ano anterior. Em relação às necessidades de investimento em infraestrutura e desenvolvimento urbano no Brasil, apresentadas no 12º ConstruBusiness – Congresso Brasileiro da Construção, esse valor chegou a 77,1% do total estimado, de R$ 682,3 bilhões.

A liberação de recursos para investimento – uma das questões essenciais para alavancar o crescimento da indústria da construção – foi citada pelo diretor titular adjunto do departamento, Mario William Esper, ao informar que apesar de haver montante disponível no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o setor tem sofrido dificuldades na Caixa Econômica Federal para operacionalizar esse funding.

No primeiro bimestre de 2018, alguns setores já mostraram sinais de recuperação. As vendas de materiais de construção, por exemplo, cresceram 6,7% no período, enquanto a produção de materiais cresceu 3,3%. O número de financiamentos imobiliários pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) aumentou 13,7% no primeiro bimestre, representando um crescimento de 18,9% no valor financiado.

O emprego, por sua vez, continuou caindo no acumulado do primeiro bimestre: 2,4% no total da cadeia produtiva, sendo as construtoras com a maior queda, na ordem de 4,4%.

Reunião plenária do Deconcic em 16 de abril. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Cenário político e propostas setoriais

Apresentando um panorama do cenário político para 2018, o deputado estadual Itamar Borges, coordenador da Frente Parlamentar da Indústria da Construção (FPIC), destacou que pela primeira vez em muitos anos há uma indefinição tanto para o Estado quanto para o Planalto. Em sua opinião, essa incerteza não deverá, porém, ter grandes impactos na economia, que tem seguido um caminho de melhora nos últimos meses em paralelo aos acontecimentos no campo político. O deputado disse que o momento é propício para mostrar as propostas do setor aos candidatos, para que haja um compromisso da gestão pública com as pautas necessárias para destravar o investimento em obras em São Paulo e no Brasil.

O novo presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Rodrigo Navarro, também destacou ser fundamental a discussão de propostas para que o setor possa remover entraves e voltar a crescer. O diretor Carlos Auricchio reiterou os trabalhos já em desenvolvimento pelas entidades para sensibilizar os candidatos às eleições e também anunciou que o 13º ConstruBusiness está pré-agendado para o dia03 de dezembro, para apresentar o diagnóstico e a agenda propositiva da construção aos vencedores do pleito de 2018.

As atividades da Frente Reformar para Mudar, conduzida pelo Secovi-SP com participação de diversas entidades e lideranças do setor, também foram abordadas no encontro pelo diretor titular adjunto do departamento, Newton Cavalieri. O diretor também falou sobre as propostas apresentadas pelas áreas técnicas da Fiesp e entidades para a revisão da Lei de Licitações (Lei nº 8.666/1993). Entre os pontos sugeridos para inclusão na nova legislação estão a licitação de obras após as etapas de licenciamento e desapropriação estarem resolvidas e a inclusão do seguro performance nos contratos, fornecendo garantias para que a obra seja executada conforme planejada.

Além disso, Cavalieri mencionou o Plano Nacional de Logística, instrumento desenvolvido pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL) do governo federal com diagnóstico da logística brasileira e previsão dos empreendimentos necessários para otimizar a infraestrutura até o ano de 2025. O plano está em consulta pública até o próximo dia 20 de abril para colher apontamentos e sugestões.

Também esteve presente na reunião o diretor do Deconcic-Fiesp Marcos Penido, atual Secretário Municipal das Prefeituras Regionais de São Paulo. Ao ser cumprimentado pelas novas atribuições, Penido destacou a importância das discussões trazidas pelo departamento para o desempenho de suas atividades na prefeitura, fornecendo a visão do setor privado para as ações necessárias na gestão pública.