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O debate sobre poluição do solo deve ganhar mais espaço na agenda das nações

O diretor da entidade, Frank Swartjes, diz que 18 dos 28 estados membros da UE convivem com problemas relacionados ao solo e à falta de distribuição de água de qualidade

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Frank Swartjes, diretor do Instituto Holandês para Saúde Pública e Meio Ambiente da Holanda. Foto: Everton Amaro/FIESP

A política holandesa em relação à poluição de solos e águas subterrâneas foi tema de painel do seminário ‘Cooperação Brasil-Holanda: Remediação de solo e diretrizes para gestão de águas subterrâneas’ – evento que acontece na tarde desta quarta-feira (02/04) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo Frank Swartjes, diretor do Instituto Holandês para Saúde Pública e Meio Ambiente, que abriu o painel, os gastos em despoluição do solo geram 6 bilhões de euros somente na Holanda.

Para ele, as preocupações em relação à poluição do solo e da terra devem ganhar espaços ainda maiores na agenda das nações.

“A questão é vital não apenas para o ecossistema no qual estamos inseridos, mas também porque tem ligação direta com nossa saúde diária”, afirmou Swartjes.

Segundo ele, atualmente, 18 dos 28 estados membros da União Europeia convivem com problemas relacionados ao solo e à falta de distribuição de água de qualidade.

Na Holanda, de acordo com o diretor, empresas e governo atuam contra a poluição do solo e da água trabalhando três questões: política jurídica forte, parcerias para pesquisa e desenvolvimento com universidades locais e consultorias públicas.

Ao fim de sua exposição, Swartjes pediu ajuda da indústria brasileira para a resolução e desenvolvimento de soluções sustentáveis contra a chamada poluição desnecessária dos já escassos recursos naturais disponíveis no planeta.

Acesso ao verde

A crescente urbanização e as mudanças climáticas geram problemas de difícil solução, disse Piet Otte, também diretor do Instituto Holandês para Saúde Pública e Meio Ambiente.

Para Otte, a mudança climática é um fato e precisa ser enfrentada.

Segundo o convidado, o melhor uso do solo deve produzir benefícios e soluções para a mitigação do clima e também contribuir para uma melhor armazenagem da água.

“Ter água com qualidade para os próximos séculos e para a proteção contra inundações são algumas das metas do governo holandês”, afirmou.

Para tal, Otte e o instituto holandês atuam próximos dos municípios do pais, visando o aumento da capacidade de armazenagem de água limpa e estimulando a criação de espaços e corredores verdes.

Otte ainda ressaltou a importância de criar e ampliar espaços verdes nas cidades. A medida, para ele, é vital para a melhoria da qualidade de vida da população.

“10% de mais áreas verdes pouparia 400 milhões de euros em gastos com saúde, apenas na Holanda”, disse.

Segundo Otte, no país europeu, crianças e idosos começam a ter dificuldades para encontrar áreas verdes. “Vocês conseguem imaginar uma infância distante de um gramado ou de um parque?”

Processo natural

No encerramento do painel, o engenheiro Sérgio Veríssimo, representante da empresa de origem holandesa Biosoil, falou sobre a forma com que a empresa luta contra a despoluição do solo e das águas.

A Biosoil é especialista em remediação ‘in site’ e em tratamentos de resíduos sólidos, segundo Veríssimo.

Um dos métodos criados pela empresa utiliza bactérias que se alimentam de elementos tóxicos. “Um processo totalmente natural”.

“Utilizamos primariamente tratamentos naturais para ‘curar’ e degradar as toxidades dos solos.”

A empresa participa, segundo Veríssimo, de grandes projetos na Europa, principalmente na Alemanha. “Estamos procurando parceiros aqui no Brasil para desenvolvimento de tecnologia e mão de obra”.