Custo-Brasil inibe investimento, afirma vice-ministro de Assuntos Exteriores da Espanha

Crise econômica e política também preocupam investidores espanhóis

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

“Muitas pequenas e médias empresas procuram o governo espanhol atrás de informações sobre como investir no Brasil, mas desistem ao ver quanto os custos são elevados”, afirmou o vice-ministro de Assuntos Exteriores da Espanha para América Latina, Jesús Gracia Aldaz.

Ele se encontrou com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta quarta-feira (25/3) para avaliar a situação de cooperação bilateral. E afirmou que é importante “simplificar as despesas e fazer um ajuste fiscal” para atrair mais investimentos estrangeiros. Gracia foi recebido pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade.

Além do Custo-Brasil, segundo o vice-ministro, “as empresas espanholas também estão preocupadas com a crise econômica e política que o país enfrenta” e esperam ações que possam melhorar o ambiente de negócios. “É preciso reformas para conter a crise e retomar o crescimento. Algo como o que fizemos na Espanha, e deu certo.”

As companhias espanholas são responsáveis por 11% do capital estrangeiro do Brasil, ou US$ 61 bilhões. Ficam atrás apenas das empresas norte-americanas, que possuem US$ 116 bilhões em terras brasileiras (20% do total).

Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da FIesp recebe vice-ministro espanhol. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Apesar do receio com o cenário político e econômico brasileiro, Gracia iniciou na véspera uma agenda no Brasil de conversações sobre como estreitar a relação comercial entre ambos países.

O representante espanhol já se reuniu com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e na ocasião inaugurou a exposição Picasso e a modernidade espanhola.  Ele também se encontrou com o vice-governador de São Paulo, Marcio França.

Nesta sexta-feira, Gracia deve assinar ainda em Brasília com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil um memorando de entendimento para renovar a relação e a cooperação para o desenvolvimento.

Mercosul

Sobre as negociações entre Mercosul e União Europeia, o vice-ministro afirmou que a “Espanha é um sócio incondicional para o bloco sul-americano” e que o país está convencido de que o bloco “não pode seguir sozinho”.

Presente na reunião, o diretor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), Antonio Bessa, defendeu que, na impossibilidade de se agilizar os processos entre Mercosul e o Mercado Comum Europeu, é importante que se avancem as tratativas de facilitação de comércio entre Brasil e Espanha.

“Precisamos discutir a introdução de programas que permitam um fluxo de negócios mais rápido, mais constante e menos burocrático entre os dois países”, explicou.