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Crise aumenta participação de commodities brasileiras na China

Segundo estudo do Ipea, Brasil intensificou suas vendas agrícolas, em detrimento dos produtos industrializados

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Márcio Wohlers, diretor

de Estudos Sociais do Ipea

A forte demanda chinesa por commodities brasileiras, aliada ao aquecimento dos preços internacionais, deu um impulso nas vendas ao exterior ao mesmo tempo em que o Brasil perdeu participação no setor de manufaturados para terceiros mercados, especialmente para a China.

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado nesta segunda-feira (6), na Fiesp, mostrou um aumento de onze pontos percentuais nas vendas de commodities agrícolas durante o primeiro quadrimestre de 2009. Desde 2000, a participação do setor oscilava entre 35% a 40%. Hoje ele representa 51%.

De acordo com o diretor de Estudos Sociais do Ipea, Márcio Wohlers, o crescimento da participação das commodities em 2009 se deu em detrimento de todos os outros grupos de produtos, mas, especialmente, dos produtos de média intensidade tecnológica: automóveis e linha branca. Entretanto, o fator de maior peso, provavelmente, são as exportações para a China.

Enquanto as exportações totais brasileiras caíram cerca de 20% nos primeiros cinco meses de 2009, em comparação com 2008, as exportações para a China cresceram 34%. “A despeito de a crise internacional ter reduzido a demanda na maioria de nossos mercados compradores, a demanda chinesa parece não ter sido afetada”, avaliou Wohlers ao divulgar o estudo.

Dado que a pauta de exportações brasileira à China ainda é concentrada em minério de ferro e soja, o crescimento das exportações ao mercado chinês contribuiu para ampliar a participação das commodities na pauta comercial brasileira após o início da crise.

Márcio Wohlers diz que esta predominância agrícola derruba a competitividade da indústria nacional e que este cenário só será revertido com investimento em pesquisa e desenvolvimento.

“Só com investimento em design e inovação o Brasil poderá reverter este cenário […] É difícil competir com um país cuja mão de obra represente um quinto da mão de obra brasileira”, completou Wohlers.