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Crescimento do fluxo global de IED será mais difícil em países emergentes

Luis Afonso Lima participou de seminário na Fiesp sobre inserção internacional do Brasil

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O fluxo global de investimento estrangeiro direto (IED) mantém o mesmo nível desde 2007, e sua rota de crescimento deve percorrer muito mais os países desenvolvidos do que as nações emergentes, avaliou nesta sexta-feira (22/08) o diretor presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima.

“Será mais difícil para países emergentes atrair investimentos diretos por uma série de fatores, ora aumento da taxa de juros nos Estados Unidos e depois a perda de crescimento e dinamismo das economias emergentes, e o Brasil não é exceção”, afirmou Lima ao participar do seminário “Qual a Inserção Internacional do Brasil Esperamos para os Anos à Frente?”, organizado pela Sobeet na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Lima acredita que os investimentos estrangeiros diretos podem suprir as carências deixadas pela deficitária formação bruta de capital fixo, mas o Brasil precisa avançar em ineficiências estruturais para disputar a atração com os países ricos.

A Sobeet analisou dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) e apurou em quais quesitos o país se destaca, e em quais perde, para a atração de investimentos.

“Os pontos de atração de IED para Brasil são o crescimento do mercado, o tamanho do mercado e, em terceiro lugar, o custo da mão de obra. São os fatores que temos, mas é verdade que temos cada vez menos”, ponderou.

Lima acrescentou, no entanto, que carências de infraestrutura e eficiência de governo são “fatores aquém da média internacional”.


Câmbio para indústria

Complicador ou facilitador da indústria, a melhor taxa de câmbio para o setor produtivo também foi discutida no seminário da Fiesp.

Segundo o economista Nelson Barbosa, ex-secretário da Fazenda, a taxa de câmbio mais próxima do ideal, tendo em vista a mudança de cenário econômico desde o início do Plano Real, gravitaria em torno de R$ 2,33.

“Não é o que eu acho que vai ser a taxa de câmbio no final do ano ou ano que vem. É simplesmente o câmbio que é melhor ou pior para a indústria. A economia brasileira hoje não é a mesma economia de 1994. Houve ganho de produtividade”, completou.