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Cosag discute projetos logísticos para o estado de São Paulo

Para empresários do setor, alto custo de distribuição é um dos principais empecilhos para o agronegócio

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Os custos para escoar a produção agrícola paulista podem afastar algumas indústrias do estado, alertou o diretor do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mário Cutait. “Já temos um obstáculo na questão da guerra fiscal, e o alto custo nos portos é outro grande empecilho.  A produção agrícola até fica no estado, mas a indústria vai para outro lugar”.

“Temos indústrias que afirmam que o transporte rodoviário do interior de São Paulo ao Porto de Santos é mais caro do que de Santos para Tóquio, no Japão. Outras mandam seus produtos para os Estados Unidos e de lá exportam para o Chile e Argentina, pois essa logística seria mais barata do que [o trajeto] Santos – Chile e Santos –Argentina”, contou o diretor ao participar nesta segunda-feira (6/4) da reunião mensal do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp.

Convidado para palestrar sobre o tema, o secretário estadual de Transportes e Logística, Duarte Nogueira, afirmou que a diferença entre os preços afeta, principalmente, produtos de baixo valor agregado e que, por isso, é importante continuar investindo nas demais modalidades.

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Secretário estadual de Transportes e Logística, Duarte Nogueira, fala sobre a importância de se investir em diferentes modalidades de transporte. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“Sem dúvida alguma, para alguns produtos, o transporte hidro marítimo acaba sendo menos oneroso do que as dezenas de quilômetros que você roda dentro de um continente”, explica. “E isso demonstra que temos que melhorar nossa eficiência logística, reduzindo custos e ampliando a intermodalidade”.

Segundo o secretário, o estado tem se esforçado para manter os investimentos em rodovias e aeroportos, mesmo “neste momento de restrição orçamentária”, e trabalha com a modelagem de concessões e a parceria privada para fomentar os investimentos nas demais modalidades, como ferrovias, dutovias e hidrovias.

Também presente na reunião, o primeiro vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, concordou com a importância de se ter outras alternativas, que não a rodoviária, para o escoamento da produção agrícola.

“Não adianta você fazer um produto barato apenas dentro da porteira da fazenda. É preciso fazê-lo chegar até a dona de casa – do Brasil, da China ou da Europa – com um preço acessível”, ressalta. “A quantidade de pedágios pelos quais um caminhão passa, hoje em dia, para atravessar as estradas encarece em muito esse produto. Precisamos de opções mais baratas, como a ferrovia, por exemplo”, completou Ometto.