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Conteúdo local, nova regulação do pré-sal e licitações podem movimentar setor de energia

Especialistas analisam políticas de petróleo e gás em workshop realizado na Fiesp

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Em busca de uma saída para o destravamento dos investimentos em energia no país, principalmente no setor de petróleo e gás, o Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra) realizou um workshop com especialistas no dia 17 de maio. Para eles, as novas regras de conteúdo local, a regulação do pré-sal e rodadas de licitações devem movimentar o setor.

“Precisamos do Brasil do futuro agora. Sempre buscamos o ótimo e perdemos a oportunidade que muitas vezes se apresenta de fazer o bom”, afirmou o diretor adjunto da Divisão de Energia do Deinfra, Nelson Gomes, sobre a postura do país diante dos desafios do segmento energético.

O vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec), José Ricardo Roriz Coelho, lembrou que a economia brasileira passa pelo pior momento de sua história e deu ênfase à importância do conteúdo local para o desenvolvimento da indústria nacional. “Investimos muito menos em capital fixo do que deveríamos; as empresas estão gerando caixa para pagar despesas financeiras diante de juros abusivos”, lamentou. Roriz falou ainda sobre a necessidade de balanceamento das regras de conteúdo local, de modo que o regulamento não afaste as chances de investimentos. “A pressão não pode atrapalhar os negócios”, lembrou.

O setor de petróleo e gás agrega hoje cerca de 2,6 mil empresas, entre pequenas e médias, 115 mil trabalhadores – com salário médio mensal 40% maior do que na indústria de transformação – e uma taxa de investimentos, em relação ao faturamento, de cerca de 9%.

Na avaliação do coordenador-geral da Política de Concessão de Blocos Exploratórios do Ministério de Minas e Energia, Lauro Bogniotti, a capacidade do Brasil de fazer negócios está bem atrás de países como México, Colômbia, Peru e outros concorrentes de investimentos na América Latina. Bogniotti ressaltou ainda que dez novas rodadas de leilões do setor acontecerão nos próximos três anos, quatro delas ainda este ano.

Já o secretário-executivo do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Antônio Guimarães, alertou para a importância do Brasil conhecer o tamanho do desafio a ser enfrentado no setor. “Estamos passando por uma verdadeira revolução mundial, uma modernização dos mercados que consomem energia, com uma participação maior do Oriente, com destaque para a Ásia”, explicou. Para ele, o momento atual pode indicar grandes oportunidades para investimentos em petróleo e gás natural no mundo, especialmente no Brasil, em virtude das grandes reservas contidas no pré-sal.

Também participaram do debate o professor doutor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo Colomer, que chamou a atenção para o novo patamar de preço do petróleo e como as disputas com novas fontes e tecnologias trazem desafios para o setor de petróleo e gás.

O presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, por sua vez, falou sobre as consequências graves para o setor da ausência de leilões no período de 2008 a 2013, que afastou os investidores do país.

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Workshop na Fiesp teve como tema investimentos em energia. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp