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Conselho da Fiesp debate a privacidade como conquista da liberdade e os limites da transparência

Conduzido pelo presidente do Consea, Ruy Altenfelder, encontro contou com a presença do jornalista e professor Eugêncio Bucci

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

A questão da transparência política é dever do Estado, mas não diz respeito à vida pública. E a transparência é uma das formas para diferenciarmos uma sociedade livre de uma autoritária, avaliou Eugênio Bucci, jornalista e professor da Universidade de São Paulo (USP), durante encontro com o Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta segunda-feira (18/5).

O encontro foi baseado no livro “O Estado de Narciso – A comunicação pública a serviço da vaidade particular”, de autoria de Bucci.

Segundo o professor, em um regime totalitário, o cidadão não consegue visualizar o nível de investimentos e o trâmite das decisões dentro do governo. Neste caso, o público não é público e o Estado é “opaco”. “Nos regimes totalitários a transparência não existe. A qualquer momento a autoridade invade o lado pessoal de cada cidadão”, disse.

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Professor Eugêncio Bucci durante reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Sobre a linha tênue entre transparência e privacidade, Bucci afirmou que a privacidade deve ser entendida como uma conquista da liberdade, e que devemos tomar cuidado quando falamos de transparência.

“A transparência não é boa em todo lugar. Ela é ideal para um Estado de direito, no âmbito público, mas não pode ser imposta à vida pessoal. A transparência deve garantir a privacidade dos cidadãos”, explicou.

Para ele, a liberdade se materializa na privacidade, que se constrói como um valor para proteger o cidadão contra o poder. Ou seja, a população deveria pensar a liberdade a partir de sua privacidade de checar, verificar e contestar as falas do poder.

“O poder na democracia depende da oposição, para que ele seja de fato virtuoso, para que corresponda à liberdade das pessoas, não colocando a sociedade a seu serviço”, avaliou.

Neste sentido, a imprensa desempenha um papel notável e insubstituível para pensar contra o poder ou de apresentar dúvidas em relação ao discurso oficial que é apresentado, defendeu Bucci.

“Não há democracia sem imprensa livre”, afirmou Bucci. “A imprensa, entre outras coisas, serve para levantar discursos contra o poder, serve para questionar e contestar”.

O professor da USP esclareceu, no entanto, que a imprensa não é um tribunal, e que seu compromisso é baseado em elaborar uma verdade provisória que vai tomando forma com o tempo. “A imprensa não tem o direito de julgar ninguém”, concluiu.