Comitê do setor têxtil da Fiesp discute agenda para acelerar crescimento

Mapa Estratégico da Indústria: 2018-2022 discute medidas para aumento da competitividade e do PIB per capita

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O Mapa Estratégico da Indústria: 2018-2022 foi o tema da apresentação feita nesta terça-feira (24 de abril) durante reunião do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário da Fiesp (Comtextil) por Rafael Cervone Netto, 3º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, e por Haroldo da Silva, chefe do Departamento de Economia da Abit.

“Precisamos de uma espécie de plano real da nossa competitividade”, disse Silva, que mostrou a perda de posições do país no ranking de competitividade.

Sem as ações recomendadas pelo Mapa, o Brasil levaria 50 anos para chegar a US$ 30.000 de PIB per capita, contra 24 anos com Mapa, que indica crescimento do PIB de 4% ao ano (contra 2% no cenário sem Mapa). Para atingir os US$ 50.000 de renda per capita dos EUA, seriam 85 anos sem Mapa e 38 com.

O estímulo à indústria pode corrigir um desvio de rumo do país. “Estamos deixando o Brasil se desindustrializar com PIB muito menor do que tinham outros países quando passaram por esse processo. E os outros setores não respondem”, explicou Cervone.

Vários temas são considerados no Mapa, como segurança jurídica, educação, indústria 4.0, recursos naturais e meio ambiente, corrupção, que afasta investimentos e impede que as indústrias sejam competitivas.

Desburocratização passou a ser um dos temas, porque lembrou Silva muitas empresas têm departamentos jurídicos maiores que os de vendas, por conta das obrigações acessórias.

As cinco prioridades do estudo são:

Sustentabilidade fiscal: Previdência e gastos (para que o governo não concorra por crédito escasso);

Ambiente de negócios: desburocratização;

Reforma tributária;

Governança e segurança jurídica;

Reindustrialização via produtividade e inovação

Em relação ao aumento da segurança jurídica, um dos pontos é a previsibilidade e qualidade das normas. Cervone destacou a existência em outros países de duas janelas anuais para adoção de normas. Também a previsibilidade em sua aplicação, e a redução da judicialização. Silva ressaltou que o Brasil perde continuamente posições no ranking de segurança jurídica.

Perspectivas para o setor

O setor têxtil em 2017 faturou R$ 144 bilhões e pagou R$ 16 bilhões em impostos e teve R$ 1,9 bilhão em investimentos. Para 2018 a previsão é 2% de crescimento no vestuário e de 4% na produção têxtil, com a criação de 16.000 empregos, em ano caracterizado pela alta velocidade de importação e pelo varejo andando de lado.

Pesquisa conjuntural da Abit mostra melhora no ambiente de negócios (março de 2018 comparado a março de 2017). Neste ano 49% (contra 38%) veem produção acima do nível esperado, e 54% (contra 42%), vendas acima do esperado. Apenas 4%, contra 14%, pretendem demitir. Para 36%, os investimentos devem ser acima do planejado (20%). Para 21% a inadimplência está acima do esperado (contra 39%). E 79% (contra 75%) indicaram intenção de inicia processo de exportação.

Reunião do Comtextil com a participação de Rafael Cervone. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Projetos da Abit atacam 10 frentes de trabalho que podem impulsionar o setor. Um deles é a evolução da cadeia de valor, pela maximização do valor adicionado. Outro é a capacitação, para por meio de programas de qualificação melhorar habilidades e produtividade. Cervone destacou ações para auxiliar as indústrias na migração para a Indústria 4.0. Financiamento, matérias-primas, marketing, integração global também fazem parte das frentes. São temas com um projeto ou mais cada, explicou.

Tendo como objetivo chegar à indústria 4.0, há a passagem por por programas como o Brasil mais Produtivo, que podem ajudar muito na produtividade, com baixo custo. É um plano de futuro para a indústria têxtil, explicou Cervone, reforçando o elo mais fraco, que é a confecção.

Silva recomendou a leitura do livro A quarta revolução industrial, disponível para download no site da Abit.

Legislativo

Cervone e Silva também falaram sobre assuntos de interesse do setor em discussão no Congresso. CNI e Abit têm em sua pauta mínima da agenda legislativa a desconsideração da personalidade jurídica. O PLC em debate traz clareza ao tema e deve entrar em pauta esta semana.

No PL 6897 são estabelecidos requisitos objetivos para o embargo ou interdição de estabelecimentos.

Outro tema é a nova proposta de reforma tributária (PEC 31/2007). A PLS-C298/2011 reduz a excessiva fragilidade do contribuinte diante do Fisco e diminui a insegurança jurídica quanto a obrigações e direitos tributários, funcionando como uma espécie de Código de Defesa do Contribuinte.

Elias Miguel Haddad, diretor titular do Comtextil, destacou a importância da reforma tributária para o setor.

Cervone lembrou que o ambiente é hostil aos empreendedores no Brasil. Defendeu a simplificação e a melhora do ambiente de negócios.

Formação

Professora da Fatec há 31 anos, Maria Adelina falou na reunião do Comtextil sobre o desafio da formação de profissionais para a indústria têxtil. A captação de alunos na Fatec de Americana é dificultada pelos problemas do setor. Convidou os empresários do Comtextil a estimular funcionários a se inscrever no vestibular para o segundo semestre de 2018, cujas inscrições estão abertas até 8 de maio. www.vestibularfatec.com.br

A forma de se comunicar com os jovens é questão essencial para sua atração, afirmou Cervone.