imagem google

Circonjecturas traz universo de sonho de Rafael Silveira para o Centro Cultural Fiesp

Sucesso de público em Curitiba, mostra do artista chega pela primeira vez a São Paulo. As 40 obras e instalações convidam o público a mergulhar na mente surrealista do paranaense

Raísa Scandovieri, Agência Indusnet Fiesp

Circonjecturas é o neologismo criado pelo artista plástico Rafael Silveira para nomear sua primeira grande exposição individual, que chegou ao Centro Cultural Fiesp no dia 25 de janeiro, com entrada gratuita. “O ‘circo’ está relacionado a uma representação exagerada, um espetáculo; e as ‘conjecturas’ são uma alusão ao mundo das ideias, à mente. Por isso essa exposição tem um caráter imersivo, como um convite a abandonar o mundo real e explorar um universo onírico”, explica o artista.

Após atrair cerca de 100 mil pessoas em sua passagem por Curitiba em julho do ano passado, Circonjecturas chega à Avenida Paulista com 40 obras, sendo dez inéditas.  A curadoria de Baixo Ribeiro reúne desde pinturas e esculturas até bordados e instalações interativas, que mesclam elementos do circo, botânica, tatuagem, publicidade dos anos 1950 e cultura pop e underground.

O curador afirma que a exposição foi pensada para o público em geral. “O trabalho do Rafael Silveira trafega entre diferentes linguagens. Ele desenvolveu um jeito próprio de alcançar um público diverso a partir de uma pesquisa muito íntima, que vai para o inconsciente, um lugar muito profundo e distante, e também uma pesquisa sobre a própria publicidade, a imagem clichê. O que ele faz com essas duas raízes é o que é interessante e especial sobre sua obra”.

Logo no começo da visita, o público atravessa um portal guardado por uma “escultura-monstro”, cujos dentes são teclas que podem ser tocadas, e chega ao Corredor das Ilusões, composto por esculturas cinéticas de um metro e meio cada e efeitos de luzes negras. No Salão das Pinturas um robô de madeira todo pintado à óleo e um sorvete gigante de 9 metros de comprimento derretendo no chão, que serve como banco tátil, chamam a atenção. “O nonsense é um contraponto essencial em minha obra, como um alívio à pressão que a sociedade exerce por respostas sobre o sentido das coisas”, comenta Rafael.

Uma das peculiaridades do trabalho do paranaense são os desenhos tridimensionais feitos de bordados, ou “ponto-cruz-credo”, como gosta de definir a técnica usada nas peças que confecciona em parceria com sua esposa, a designer de moda e artista têxtil Flávia Itiberê. Rafael explica que os bordados são uma parte nova e importante de sua obra: “é uma categoria que surgiu organicamente de nossa convivência. As referências do universo da moda que ela trouxe para minha pesquisa tiveram impacto irreversível no meu trabalho, e criamos muita coisa juntos”.

O talento e a abordagem lúdica e convidativa de Rafael lhe renderam, em 2008, um convite para desenhar a arte da capa do disco Estandarte, da banda Skank. A pintura, que completa dez anos, também está em exibição na mostra.

Multifacetado

Para além das artes plásticas, Rafael também costuma se aventurar em outra paixão: a música. Integrante da banda Os Transtornados do Ritmo Antigo há quatro anos, ele mesmo ajudou a produzir a trilha sonora da exposição, composta por várias faixas de trompetes tocadas ao mesmo tempo, algumas delas invertidas.

O público vai poder conhecer esse outro lado do artista no show que a banda fará no palco do projeto Domingo na Paulista, em frente ao Centro Cultural Fiesp, em uma data ainda a ser confirmada.

Obras de destaque

Sorvete

A instalação interativa tem forma de um sorvete gigante de 9 metros de comprimento e 4 de largura. A casquinha é feita em fibra de vidro e a parte que simula um sorvete derramado é um tecido estofado, que funciona como uma espécie de sofá para os visitantes.

O sorvete é uma figura recorrente no imaginário do artista como uma representação da urgência e do efêmero na condição humana.

O Contraste É O Sentido

Misto de pintura, escultura e instalação, a obra de mais de 1,80m de altura evidencia o conflito entre o natural e o artificial em 33 faces pintadas a óleo. Ao observar cada uma das diferentes partes que compõem o robô, o visitante se depara com a sensação de perceber algo novo, seja ele o inusitado, ou o detalhe.

Salão dos Bordados

Uma instalação de esculturas suspensas feitas de fibras diversas, bordadas manualmente. Ao ser iluminada, cada peça de bordado se transforma em um “stencil de luz”, que pinta a parede ao fundo com sombras gráficas.

Nascido em Paranaguá, mas radicado em Curitiba, Rafael Silveira graduou-se em Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Curitiba (Unicuritiba). Trabalhou em agências de publicidade e em 2008 ficou conhecido por ter uma de suas obras estampando a capa do disco Estandarte da banda Skank.


Serviço:

Exposição Circonjecturas

Local: Espaço de Exposições do Centro Cultural Fiesp (Avenida Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)

Abertura: 25 de janeiro, às 14h

Período: de 25 de janeiro a 6 de maio de 2018

Horários: terça a sábado, das 10h às 22h, e domingo, das 10h às 20h

Capacidade: 90 pessoas

Agendamentos escolares e de grupos: 3146-7439

Entrada gratuita. Mais informações pelo site www.centroculturalfiesp.com.br