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Ciesp quer dobrar participação de fornecedores do setor de P&G

Segunda cruzada pela mobilização da indústria paulista, iniciada em Piracicaba, atraiu 190 participantes

Rubens Toledo, Agência Indusnet Fiesp

Na esteira dos fortes investimentos na exploração e produção de óleo e gás, que devem beirar os US$ 300 bilhões nos próximos quatro anos, Ciesp e entidades parceiras iniciaram na quinta-feira (3), em Piracicaba, uma nova campanha de mobilização das empresas paulistas visando ampliar sua participação nessa extensa cadeia.

O encontro, realizado no campus Taquaral da Unimep — em conjunto com Caixa Econômica Federal, Sebrae-SP, Abimaq, Simespi, Prefeitura, Acipi e Apla (Ethanol Cluster) —, atraiu 190 empresas da região e também representantes do Ciesp de Limeira e de São Carlos, interessados em replicar o seminário nessas regionais.

“São Paulo é o estado capaz de suprir as necessidades da cadeia. E a indústria vê o desafio como uma oportunidade importante”, observou Ubiraci Correa, diretor-titular do Ciesp são-carlense.

Painelista no encontro, o diretor de Infraestrutura do Ciesp, Julio Diaz, lembrou que a entidade sensibilizou mais de 1.300 indústrias no ano passado, das quais cerca de 900 concluíram o processo de inserção no cadastro de fornecedores da Petrobras.

“É um número ainda acanhado. Esperamos dobrar esta participação”, garantiu Diaz. Um novo seminário já está marcado para 10 de fevereiro em São Joaquim da Barra, na região de Franca.

Ainda de acordo com o diretor do Ciesp, campanha semelhante será desenvolvida em conjunto com a Associação Brasileira da Indústria Naval e Offshore (Abenav), visando atrair fornecedores para este setor, elo importante na cadeia.

“Há dez anos, a indústria naval era um setor totalmente sucateado. Hoje emprega mais de 60 mil trabalhadores”, lembrou Julio Diaz. O Ciesp vem apoiando também a Secretaria dos Portos no transporte marítimo de cabotagem oceânica, visando melhorar a logística nos portos em toda a costa brasileira.

Nacionalização da cadeia

O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Alberto Machado Neto, reconheceu o esforço do governo em promover a participação da indústria nacional na cadeia de P&G, considerando que as descobertas de óleo da camada Pré-sal colocam o País como a quinta maior reserva no mundo.

“O índice de nacionalização representa 74%. Mas isso é uma média dos vários segmentos. Quanto ao nosso segmento, a participação nacional é de 20%”, rebateu Machado Neto.

Ele cita que, por conta da baixa competitividade brasileira, a Petrobras fechou contrato com a americana GE Oil & Gas apara fornecer 171 sistemas de cabeças de poço submarino, que serão fabricados na nova planta da empresa em Jandira, na Grande São Paulo. O executivo da Abimaq observou que o Brasil tem grande carência de mão de obra especializada, sobretudo de engenheiros. Enquanto o Brasil forma 30 mil profissionais por ano, a Coreia do Sul forma 60 mil e a China, 600 mil.

Portal Progredir

O superintendente regional da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro, Edalmo Porto Rangel, sublinhou que a instituição, com 150 anos de história, iniciou um novo nicho de fomento à cadeia de petróleo. “Estamos atentos a essa cadeia, de demanda firme, segura e de médio prazo”, afirmou.

A Caixa integra, com outros cinco grandes bancos, o Portal Progredir, da Petrobras, para fortalecer o setor no País. “A oferta de crédito se estende a fornecedores diretos da estatal e também os indiretos, até o quarto elo da cadeia. Subfornecedores negociam contratos com agentes financeiros e têm o mesmo aval conferido às empresas certificadas da Petrobras”, explicou Eliane Santos, gerente da CEF em Piracicaba.