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Chuvas devem ser abaixo da média pelas quatro próximas décadas, estima professor

Antônio Carlos Zuffo também projetou que o volume morto do Sistema Cantareira deve ser esgotado até o primeira quinzena de novembro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Professor da Unicamp, Dr. Antônio Carlos Zuffo: "hoje não temos plano nenhum". Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

As chuvas no país devem ficar abaixo da média no próximo ano e pelas próximas quatro décadas, projetou na manhã desta segunda-feira (22/09) o professor doutor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Antonio Carlos Zuffo.

Ele participou do seminário “Gerenciando da Escassez de Água na Indústria”, organizado pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Na hipótese mais crítica – falta de chuvas e queda contínua dos níveis do reservatório do Sistema Cantareira, o maior administrado pela Sabesp em São Paulo –, o professor da Unicamp disse estimar que todo o volume morto ainda restante no sistema será esgotado até o dia 15 de novembro, considerando uma média móvel de sete dias.

“A gente tem de fazer planejamento porque não dominamos o clima. O governador não tem autoridade sobre São Pedro e as chuvas infelizmente não vieram”, avaliou Zuffo ao reiterar a necessidade de planejar o armazenamento e o consumo de água.

“Hoje não temos plano nenhum. Dependemos da chuva porque se não houver chuvas não temos mais volume morto para usar”, completou.

Zuffo lembrou que a seca registrada em 2003 reduziu o volume útil do Sistema Cantareira a 3%. Desde então foram incorporados 15% do volume que não pertencia ao volume útil.

“Quando começamos a bombear o volume morto esse ano, já estávamos no volume que seria negativo em 2003”, afirmou. “Nas próximas décadas teremos precipitações menores e consequentemente problemas de abastecimento.”

Ciclo

O professor explicou que a escassez de chuvas prevista para as próximas quatro décadas corresponde a um ciclo natural.  Segundo ele, o país enfrentava falta de água nas décadas de 1940, 1950 e 1960 e depois registrou precipitações acima da média do período entre 1970 a meados de 1980.

“De 40 a 60 havia um problema de falta de água em que as populações faziam novenas e procissões pedindo por chuva. As paróquias no interior de São Paulo estão promovendo procissões novamente. Então se trata de um ciclo”.