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Chile mostra na Fiesp fatores de atração de investimento

País pode ser meio de acesso a mercados como o asiático

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Quase vizinho, primeiro país sul-americano membro da OCDE, com bons indicadores econômicos, o Chile é um ímã para investimentos na América Latina e quer atrair brasileiros. “É um país que vale a pena olhar”, disse nesta quinta-feira (23 de agosto) Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), ao abrir na casa o seminário Chile: Destino para investimentos brasileiros.

Zanotto destacou a “história rica de colaboração entre Brasil e Chile” e disse que a expectativa é de aumento do comércio entre os países, com a eliminação prevista das alíquotas de exportações. Vêm crescendo tanto as importações brasileiras do Chile (US$ 3,4 bilhões por ano) quanto suas exportações (US$ 5 bilhões).

Para a Fiesp, disse, Mercosul é a prioridade, com os demais países da América Latina em seguida. É o mercado em que os brasileiros preferem investir, explicou. “O Chile é um lugar especial para isso.” Zanotto ressaltou também a grande integração do Chile com a Ásia.

Zanotto disse que os números da economia do Chile são de dar inveja ao Brasil, com crescimento previsto de 3,4% para este ano, investimento anual equivalente a 23% do PIB e balança comercial equilibrada.

Fernando Schmidt Ariztía, embaixador do Chile no Brasil, destacou que “é verdadeiramente espetacular o relacionamento político entre os dois países”. O Chile, disse é o principal investidor sul-americano no Brasil. A economia chilena cresceu no segundo trimestre 5,1% em relação ao mesmo período do ano passado, depois de ter crescido 4,8% no primeiro trimestre, destacou.

“A oportunidade é hoje”, disse Ariztía, em relação aos investimentos brasileiros no Chile e chilenos no Brasil, graças aos acordos comerciais em negociação.

Ian Frederick, diretor da Invest Chile, disse que Brasil e Chile estão muito perto, mas ainda distantes, porque falta o investimento brasileiro no Chile, ao passo que é forte o investimento chileno no Brasil. As mudanças nos últimos anos no Chile, afirmou, criam oportunidades para investidores estrangeiros.

Via Chile é possível o acesso a grandes mercados no mundo. O investimento no Chile é fácil, sem complicações, disse, e o país faz o acompanhamento dos investidores antes e depois de se instalarem no país.

As taxas de juros são baixíssimas no Chile, afirmou, seu PIB per capita é semelhante ao de países europeus, o sistema tributário é muito simples, sem taxas regionais. Isso é resultado de décadas de políticas públicas e medidas adotadas para dar segurança ao investidor.

Para atuar no Chile as empresas precisam ser competitivas alertou, porque o país vende para mercados competitivos.

Listou características que tornam o Chile atraente para investidores, começando pelo bom desempenho em rankings de competitividade. O país busca sempre se aprimorar para manter as condições para os investidores e tem sistema financeiro sólido. E há capital humano no país, afirmou.

A Invest Chile analisa os projetos e ajudam na tramitação necessária para os investimentos no país. Há apoio também depois da instalação, e esses serviços são gratuitos. Convidou empresários brasileiros a participar do quinto fórum internacional de investimentos no Chile, em 2019.

María Julia Riquelme, diretora comercial da ProChile em São Paulo, explicou que a estrutura da rede de escritórios comerciais chilenos, em mais de 45 países. “É um grande ativo”, disse. As unidades no exterior precisam descobrir a demanda por serviços e bens prospectados pelos escritórios regionais chilenos. Destacou que o país tem 26 acordos comerciais em vigor e graças a isso atingem 64 economias, responsáveis por 86% do PIB mundial.

María lembrou que o Chile exportou para o Estado de São Paulo US$ 750 milhões em 2017 e importou também no mesmo ano US$ 1,6 bilhão, principalmente derivados de petróleo e produtos do setor automotivo.

Mesa de abertura do seminário Chile: Destino para investimentos brasileiros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Mesa de abertura do seminário Chile: Destino para investimentos brasileiros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp