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Centrais sindicais discutem na Fiesp ações contra invasão de importados, juros e câmbio

Paulo Skaf recebeu líderes sindicais para avaliar estratégias de defesa da indústria e de empregos. Ações serão definidas no dia 06

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O setor produtivo nacional enfrenta um descaso por parte do governo no que diz respeito a medidas para recuperar a indústria castigada pelas importações predatórias, analisou nesta quinta-feira (26) o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

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Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical, e Paulo Skaf, presidente da Fiesp, durante encontro na sede da entidade

A avaliação do dirigente foi feita após encontro com líderes sindicais, na sede da entidade, para debater estratégias contra a forte entrada de mercadoria importada e a consequente perda de renda do trabalhador brasileiro.

Skaf recebeu presidentes de centrais sindicais, entre eles Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical, e Ricardo Patah, da União Geral dos Trabalhadores.

“O que é unanimidade, aqui, é que o governo federal tem um descaso com os setores produtivos brasileiros. O setor produtivo [trabalhadores e empresários] está de mãos dadas para chamar atenção do governo para a produção deste país”, disse Paulo Skaf a jornalistas ao final da reunião com sindicalistas.

Ele ainda informou que um comitê técnico, formado por representantes das centrais sindicais e da Fiesp, deve se reunir nesta segunda-feira (30) para debater as “orientações discutidas hoje”. O grupo volta a se encontrar com Skaf no dia 6 de fevereiro, para definir que tipo de manifestação será feita.

“O que está definido é que realmente todos nós estamos muito preocupados com essa situação. No dia 6 deve ser definido o que vamos fazer para que o governo comece a ouvir”, acrescentou o presidente da Fiesp.

O deputado Paulinho da Força também expressou sua preocupação com a situação econômica do país e classificou a penetração de importados no mercado nacional como “extremamente grave” para a indústria.

“A impressão que nós temos é que o governo está importando a crise para o Brasil. Já tem empresa demitindo, já tem setores com dificuldades, essa questão da importação praticamente está quebrando parte da indústria brasileira”, disse o deputado. “Ficou claro nessa conversa de hoje que nós estamos de acordo com o diagnóstico: a importação é uma coisa vergonhosa e desenfreada.”

Ele negou rumores de greve e disse que a ideia é fazer manifestações que contribuam para uma proposta de recuperação do setor produtivo. “Não sei nem de onde tiraram essa ideia de greve.”

Fase difícil
Somente em dezembro, o setor produtivo paulista fechou 35 mil postos de trabalho, uma queda de 1,36% em comparação com novembro, na série sem ajuste sazonal, segundo pesquisa da Fiesp divulgada em janeiro deste ano.

A principal cauda da quebra da indústria se deve ao robusto consumo de bens importados, que entraram com força no país ao longo de 2011 graças à desvalorização cambial.

No terceiro trimestre de 2011, a participação de produtos importados no consumo brasileiro chegou a um patamar de 23,4%, indicando a persistente falta de fôlego da indústria para escoar sua produção no mercado local. No mesmo período de 2010, o nível dos importados no consumo doméstico era de 22,7%.