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Carreta da mamografia vai às indústrias para atender trabalhadoras

Unidade móvel com capacidade para 25 exames por dia percorrerá indústrias da Grande São Paulo

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Uma carreta de alta tecnologia do Sesi-SP, totalmente equipada para fazer mamografias, começou nesta segunda-feira (5/10) a percorrer indústrias da Grande São Paulo, oferecendo o exame, essencial para a detecção precoce do câncer de mama. Na região há mais de 120 mil mulheres que devem fazer o exame, por terem 40 anos ou mais ou por indicação médica. Elas não pagam pelo exame, que é bancado pelas empresas em que trabalham.

A carreta é parte do projeto MUSA – Mulher Saudável, promovido conjuntamente pela Fiesp e pelo Sesi-SP. É equipada com mamógrafo digital de última geração e conta com o conforto da climatização, TVs, som ambiente, vestiário e controle de luminosidade. Antes de começar a viagem pela Grande São Paulo, ficou estacionada na sede das entidades da indústria, na avenida Paulista, realizando mais de 25 mamografias por dia na equipe que trabalha no prédio.

O projeto deve trazer como benefícios a redução do absenteísmo, diminuição de perda de horas de trabalho, facilidade de acesso e conforto e a satisfação e aumento do vínculo afetivo das trabalhadoras com a empresa.

>> Ouça reportagem sobre a MUSA

O programa ainda prevê a realização de ações educativas junto às trabalhadoras da indústria e comunidade, bem como oferecer serviço preventivo de qualidade, de acordo com os padrões e normas vigentes.

Segundo o gerente executivo de Qualidade de Vida do Sesi-SP, o médico Eduardo Arantes, esta ação mostra mais uma vez a importância da promoção da saúde e da prevenção de doenças. “A intenção desta campanha é atender 100% das mulheres da indústria. Um índice nunca alcançado no mundo”, enfatiza.

“A MUSA facilitará o acesso das trabalhadoras a um exame que, realizado anualmente, poderá detectar precocemente o câncer de mama e aumentar muito as chances de cura.”

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Unidade móvel do projeto MUSA, que percorre indústrias da Grande São Paulo para fazer mamografias. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Removendo obstáculos

A ideia de ampliar o atendimento preventivo de saúde e facilitar o acesso da trabalhadora paulista à mamografia surgiu em 2013, durante o evento de comemoração do Outubro Rosa na Fiesp. O presidente da entidade, Paulo Skaf, durante conversa com suas colaboradoras, percebeu que a dificuldade de locomoção em uma cidade grande como São Paulo é uma das causas da baixa adesão aos exames.

As mulheres presentes alegaram que a burocracia, o trânsito e a distância dos laboratórios acabam desmotivando a realização da mamografia, apesar de elas terem convênio médico. Skaf estudou as sugestões e teve a ideia de propor uma unidade médica móvel para que todas as mulheres da entidade tenham acesso aos exames e diagnósticos da doença. “Com a unidade móvel a trabalhadora fará os exames com total conforto e segurança em no máximo 15 minutos”, afirmou Skaf.

Na mira da MUSA

O público alvo do projeto MUSA é o das trabalhadoras da indústria paulista com 40 anos ou mais ou que tenham indicação clínica para a realização abaixo da faixa etária. Excepcionalmente, homens poderão ser atendidos, também por indicação médica. Em todos os casos, a mamografia anterior deve ter sido feita pelo menos 10 meses antes.

Câncer de mama no Brasil

No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61%.

Segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, correspondendo a 22% dos casos novos a cada ano. Se diagnosticado e tratado oportunamente, o prognóstico é relativamente bom.

Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente. Estatísticas indicam aumento de sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas décadas de 60 e 70 registrou-se um aumento de 10 vezes nas taxas de incidência ajustadas por idade nos Registros de Câncer de Base Populacional de diversos continentes.

Sobre o Outubro Rosa

Campanha Mundial Outubro Rosa é um movimento popular que busca sensibilizar a população para os riscos e a necessidade de diagnóstico precoce para esse tipo de câncer, que é o segundo mais comum no mundo, perdendo apenas para o de pele.