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Especialistas avaliam soluções de acesso a crédito para a cadeia produtiva da pesca

Consultores do mercado financeiro e representante do Ministério da Pesca participam de encontro na Fiesp para esclarecer dúvidas

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Quais fatores impedem que os produtores e a indústria do pescado paulista se beneficiem das linhas de financiamento e dos significativos volumes de recursos disponíveis para o setor? Essa foi a tônica do seminário “Meios de Financiamento para a Pesca e Aquicultura”, realizado nesta sexta-feira (15/08) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

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Flavio Vital, assessor de Projetos do Departamento da Pequena e Média e Indústria (Dempi) . Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na programação da manhã, o Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca (Compesca) convidou três especialistas para orientar os empresários sobre as possíveis soluções para essas questões.

Ter uma ideia clara das reais necessidades da empresa, estar preparado para mostrar relatórios de seus negócios e compreender a linguagem dos agentes financeiros, são algumas dicas apontadas por Flavio Vital, assessor de Projetos do Departamento da Pequena e Média e Indústria (Dempi) da Fiesp.

Vital enfatizou a importância de compreender a diferença entre os bancos e os investidores. “Se o seu negócio está bem estruturado para mostrar relatórios financeiros,  pode procurar um banco. O banco olha o seu passado. Já o investidor olha o seu futuro. Ele entrará junto com você no negócio, como um sócio, mas vai querer ganhar mais”, esclareceu.

Segundo Flavio Vital, uma das principais dificuldades apresentadas pelos empresários que participaram dos encontros chamados “Sala de Crédito – serviço da Fiesp que promove a aproximação entre empresários e  principais agentes financeiros – foi a de compreender a linguagem dos gerentes de bancos. “Daí, a necessidade de se buscar ajuda de profissionais como contadores e contabilistas, habituados com a linguagem e documentação exigida pelas instituições financeiras”, sugeriu.

Menos informalidade para crescer

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O economista e consultor Gilberto Gonçalves, da GI3 Consultoria. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O economista Gilberto Gonçalves, da GI3 Consultoria, consultor convidado a analisar as empresas do setor, apresentou um panorama de como estão estruturadas as empresas da cadeia produtiva da pesca, seus desafios e recomendações para ampliar a competitividade.

Uma das dificuldades para o setor, segundo ele, esbarra numa mudança de pensamento do empresário, pois muitos não gostam de controles gerenciais formais, o que dificulta o conhecimento do próprio negócio. “E uma consequência disso é  não ter instrumento para negociar o crédito ou pleitear alguma coisa, nem tampouco convencer o banco ou investidor de que o seu negócio é bom”.

Outra característica que fragiliza o setor, na avaliação do Gonçalves, é a predominância de empresas pequenas e pouco estruturadas. “A rastreabilidade, se porventura tiver empresas maiores e mais estruturadas, é, consequentemente, mais facilitada e diminui o grau de informalidade”.

Essa nova reconfiguração do setor é uma tendência natural, segundo o analista. Ele prevê que a atual nuvem de pequenas empresas vai se tornar um grupo de poucas empresas maiores. E os trilhos dessa mudança serão as empresas estrangeiras interessadas no nosso mercado, a indústria de alimentos nacional (que lida com os mesmos canais de varejo) ou o próprio varejo via marca própria.

Potencial de mercado

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Evandro Barros de Daniel Carvalho, coordenador-geral de incentivo e apoio ao crédito do Ministério da Pesca e Aquicultura. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O coordenador-geral de incentivo e apoio ao crédito do Ministério da Pesca e Aquicultura, Evandro Barros de Daniel Carvalho, relembrou que, ao ser lançado, o Plano da Safra estabeleceu a meta de duplicar a produção de pescado no Brasil, chegando à alocação de R$ 4,1 bilhões de recursos para o setor.

Essas metas foram estabelecidas avaliando as necessidades do setor e seu potencial de crescimento. “Em termos de proteínas animais, hoje, se produz mais peixe do que frango e que carne. É um potencial que o mundo inteiro já enxergou, mas nós ainda estamos patinando”, afirmou, comparando o potencial de água do Brasil e do Chile, país cujo produção é infinitamente maior em relação ao seu potencial de água.

Sobre o acesso ao crédito, Carvalho apresentou as diversas linhas de financiamento, algumas delas com incentivos regionais, ou com o enfoque mais ao empreendedor, como o Proaquicultura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ou o Programa de Financiamento da Ampliação e Modernização da Frota Pesqueira Nacional (Profrota Pesqueira), que passa por uma regulamentação, entre outros.  Já o Programa Nacional de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Pronaf) pode beneficiar os pequenos produtores.

Segundo Carvalho, os gargalos de acesso ao crédito que os bancos apresentam continuam a ser o índice de inadimplência e as dificuldades quanto às garantias.  Ele esclareceu que, para diluir a inadimplência, é necessário que os clientes busquem a renegociação da dívida e que os superintendentes também convidem novos solicitantes para adquirir crédito.  “O nosso público, sendo empreendedor, acaba com a inadimplência futura”.

Roberto Imai, coordenador do Compesca, citou uma possível saída para minimizar uma das queixas recorrentes do setor: o apoio ao licenciamento ambiental. “Foi solicitado à Secretaria da Agricultura uma linha de financiamento que contemplasse o licenciamento ambiental. Foi aprovado, portanto, uma linha de R$ 200 mil que, entre os itens financiáveis, incluiria o licenciamento ambiental, junto com as outras análises.”