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Brasil precisa de uma nova política de médio e longo prazo para setor de petróleo e gás

Flávio Rodrigues, do Instituto Brasileiro de Petróleo, pede planos de médio e longo prazo; para diretora da ANP, país não poderia produzir gás natural na mesma rapidez que EUA, uma vez que indústria norte-americana perfura poços há 150 anos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Flávio Rodrigues, coordenador de relações externas do Instituto Brasileiro de Petróleo, Flávio Rodrigues, coordenador de relações externas do Instituto Brasileiro de Petróleo. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Especialistas da cadeia do petróleo e gás discutiram na manhã desta terça-feira (20/05), durante a Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o posicionamento do Brasil na geopolítica do petróleo e do gás para os próximos 10 a 15 anos.

No painel, o coordenador de relações externas do Instituto Brasileiro de Petróleo, Flávio Rodrigues, afirmou que o Brasil deve se mexer se quiser aproveitar nos próximos 15 anos o papel de relevância que tem assumido no setor de petróleo e gás no mercado internacional.

“O Brasil precisa de uma nova política de médio e longo prazo para o setor, principalmente pelo ressurgimento de novos atores de relevância como o México. Decisões têm de ser tomadas agora.”

Na avaliação da diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, o Brasil deve expandir a produção de gás natural pelos próximos 10 anos, mas não ao passo que fazem os Estados Unidos em sua produção.

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Magda Chambriard, diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Foto: Alberto Rocha/Fiesp

“Os Estados Unidos têm condições de atuar mais rapidamente na produção porque em 150 anos eles perfuraram cerca de cinco milhões de poços. Isso faz com que eles tenham um tremendo conhecimento dos seus recursos petrolíferos”, afirmou Chambriard.

“Não temos gás suficiente hoje. Estamos confortáveis? Não. Vamos ter? Vamos”, prosseguiu Magda ao participar do evento.

Segundo ela, graças ao pré-sal, a produção de gás natural do Brasil vai evoluir significativamente na próxima década.

“Vamos ter gás natural por terra para consumo no Brasil, mas prioritariamente, nos próximos anos, esse gás virá dos projetos no pré-sal. Enquanto isso, vamos buscar gás em terra, mas prioritariamente o gás convencional”, confirmou Chambriard.

Segundo ela, há uma potencial demanda no provável déficit de gasolina em diversas regiões do Brasil a partir de 2022.

“Salvo São Paulo, todas as outras regiões vão precisar de gasolina que poderá vir, por exemplo, do gás natural”, disse a diretora-geral da ANP. “Tenho certeza que a questão decisiva para atendimento desse mercado certamente vai ser a inserção tecnológica”, completou.

Energia elétrica

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Ieda Gomes, diretora da Energix Strategy. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Na avaliação de Ieda Gomes, diretora da Energix Strategy, a oferta de gás também pode ser estimulada pelos potenciais backups térmicos que deverão se configurar a partir da nova matriz de energia.

“A gente precisa de backup? Precisa. Vai ser térmico? Vai. Se for a gás natural, nossa oferta precisa crescer. Cerca de 50% da produção brasileira não chega ao mercado”, ponderou, no entanto, a diretora.

De acordo com o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, falta uma política de incentivo à produção de gás mais expressiva.

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Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

“O governo é muito tímido nas políticas de incentivo. Estamos muito bem estruturados, mas precisamos de mudança na política energética”, defendeu.

Ieda Gomes, da Energix, também acrescentou que não vê um empenho vigoroso do Ministério de Minas e Energia para incentivar a produção de gás natural na matriz energética.

“Não vejo colocada de maneira muito forte a intenção do ministério em incentivar o gás”, alertou.

L.E.T.S.
A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico. O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets