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Brasil precisa de um programa de eficiência energética, afirma presidente da CNT

Especialistas debatem iniciativas que visam reduzir o consumo de energia no Brasil

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil precisa “urgentemente” de um programa nacional de melhoria de eficiência energética. O ponto de vista é do presidente da Confederação Nacional de Transporte (CNT), Geraldo Viana, um dos palestrante do painel “Eficiência energética nos sistemas de transporte”, parte da programação desta quarta-feira (21/05) da Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Temos apenas iniciativas isoladas”, alertou Viana.

Entre as iniciativas isoladas, o presidente da CNT destacou o Inovar-Auto, que reduz em 30% o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de veículos com compromisso energético e preocupação ambiental, com investimento empresarial de 60 bilhões de reais.

Mas, para ele, ainda é pouco. “Precisamos de maiores iniciativas, do setor privado e da esfera pública”, afirmou Viana.

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Viana: 'Precisamos de maiores iniciativas, do setor privado e da esfera pública”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Outra questão levantada pelo dirigente é a necessidade de substituição de veículos pesados e ultrapassados por novos, comprometidos com eficiência energética. “É hora de renovação e reciclar nossas frotas de caminhão”. De acordo com Viana, 32% da frota são formadas por caminhões com mais de 20 anos, altamente poluentes.

Viana prosseguiu sua palestra destacando programas de eficiência energética de sucesso implantados na Europa e na Ásia.

Em solo europeu, segundo Viana, o programa Green Freight Europe é voluntário e independente. Conta com 200 participantes entre transportadoras, embarcadores, governos e preocupa-se com realização de compras sustentáveis.

Viana destacou a experiência sueca chamada Clean Truck, focado em melhoria da segurança viária, com redução da emissão de poluentes, consumo de combustível, pneus e manutenção, estimulando o uso de biocombustível. “É uma iniciativa privada, baseada no Smart Way americano”, afirmou.  O programa sueco já resulta em 13% de economia em veículos pesados, e 20 a 25% de economia em veículos urbanos.

“Já na Ásia, o programa Clean Air Asia busca criar normas de economia de combustível, melhorando a emissão de CO2 de veículos pesados e leves”.  Indonésia, Filipinas, Vietnã e Tailândia participam dessa iniciativa.

Na sequência do painel, Fábio Real, do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), detalhou o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), programa de eficiência energética do instituto, com foco em automóveis e pneus, de adesão voluntária de montadoras.

Um das iniciativas do instituto criou as etiquetas de consumo coladas em veículos, com informações sobre consumo urbano e em estrada. Devido aos ganhos do programa, Real informou que o PBE de Pneus passará a ser compulsório. “A previsão de redução de consumo de combustível é de 4 a 7%, poupando gastos de até 400 milhões de reais”, afirmou.

Em seguida, Cyro Boccuzzi, diretor da Eco EE, empresa focada em engenharia de energia, abordou práticas sustentáveis de meios de transportes eletrificados, e explicou procedimentos realizados no metrô de São Paulo.

L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico. O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets