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Brasil precisa de políticas industriais permanentes e efetivas para estimular a inovação

Ao lado de especialistas, José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Decomtec, defende necessidade de investimentos em infraestrutura para fortalecimento da indústria, da economia e da sociedade brasileira

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil precisa de politicas industriais permanentes e efetivas para estimular a inovação tecnológica, fomentar investimentos em setores estratégicos e atenuar os efeitos das deficiências do ambiente competitivo na indústria de transformação. A conclusão é de José Ricardo Roriz Coelho, diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O dirigente foi um dos palestrantes do painel ‘Influência da Infraestrutura na Política Industrial’, agenda do L.E.T.S, evento que discute a infraestrutura integrada, no Hotel Unique, em São Paulo, na tarde desta segunda-feira (19/05).

Na visão de Roriz Coelho, elevar a competitividade do setor industrial é fundamental para acelerar o desenvolvimento econômico do país. “Para se desenvolver é preciso, antes de tudo, resolver problemas de infraestrutura”.

Segundo ele, a infraestrutura brasileira tem deficiências severas, sobretudo se comparada à dos países concorrentes. “A infraestrutura logística é pequena e de baixa qualidade”, analisou.

Esse modelo, para ele, tem impacto oneroso no custo de produção logística brasileira, resultando em ineficiência para todos os setores industriais. Além disso, em sua visão, a sociedade arca com uma carga tributária elevada, incompatível com a infraestrutura, o que retira competitividade da indústria.

A infraestrutura é um grave obstáculo à competitividade de todos os setores de atividade, em especial, de setores produtores de bens comercializáveis, na opinião do dirigente.

“O Custo Brasil e a sobrevalorização do Real desde 2012 também têm importante contribuição para a ineficiência da politica industrial atual”, concluiu.

Para Mansueto Almeida, técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o problema atual brasileiro não é demanda, pois ”há alta demanda por produtos manufaturados estrangeiros”. Para ele, o problema reside no fato do país possuir alto custo de produção, com mão de obra cara e pouco especializada.

“Hoje, a indústria nacional está espremida entre concorrentes com mão de obra barata e países com alta capacidade produtiva, mas com custo de produção baixo”.

Uma saída apontada pelo especialista é a indústria nacional aumentar “brutalmente” a produtividade, mesmo não havendo um cenário favorável para tal medida. “Precisamos encontrar uma forma para crescer em um ambiente de carga tributária alta. O que não será nada fácil.”

Outro problema grave apontado por Almeida é o pouco resultado criado pelas políticas governamentais nos últimos anos. “O governo criou politicas com coordenação de investimentos em infraestrutura, mas sem foco em pesquisa e desenvolvimento e criação de vantagens comparativas e inovação.”

A importância do investimento em infraestrutura como motor para o desenvolvimento econômico e social no Brasil foi um dos pontos defendidos por outro palestrante do painel, o professor de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fernando Sarti.

Segundo o acadêmico, a infraestrutura promoverá crescimento da indústria, aliado ao crescimento das demandas internas por bens industriais. “Politicas industriais potencializariam a demanda por investimento, permitindo que uma parcela dela seja atendida pela oferta local”, analisou.

No fechamento do encontro, Marcelo Miterhof, economista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), defendeu a relação entre investimento em infraestrutura, competitividade da indústria nacional e bem estar social.

Miterhof ainda ressaltou que as regras para o conteúdo local devem ser menos defensivas e mais dinâmicas. “O conteúdo local precisa de legitimação, com objetivo de ganhos tecnológicos e criação de fornecedores globais”, encerrou.

L.E.T.S

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico. O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets