Brasil é destaque mundial em energia limpa e renovável, afirma diretor da Siemens

Especialistas debateram desafios do setor em painel do 31º Encontro Brasil-Alemanha, realizado em São Paulo

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Ricardo Lamenza, diretor de energia a Siemens. Foto: Fiesp

Especialistas brasileiros e alemães do setor de energia reuniram-se nesta terça-feira (14/05) no workshop “Desafios do Setor de Energia” – parte da agenda do 31º Encontro Brasil-Alemanha –, para debater questões importantes para o setor. A discussão girou em torno do uso e dos custos de bases energéticas renováveis.

“A matriz energética precisa ser mudada devido à escassez de recursos”, alertou Ricardo Lamenza, diretor de Energia da Siemens, ao abrir o encontro. Segundo ele, o cenário é positivo no Brasil: “Mais de 40% de nossas fontes energéticas não produzem CO2”, apontou, sublinhando que a biodiversidade “já tem um papel importante” na produção de energia no país.

Lamenza destacou a importância do uso da energia eólica. “Essa matriz energética tem um enorme futuro no Brasil, com capacidade 300 gigawatts – potencial gigantesco. Entretanto, o país precisa pensar nos atributos e benefícios de cada energia para a criação de uma matriz eficiente”, afirmou.

De acordo com o diretor de Energia da Siemens, um dos principais entraves para a produção de energia limpa no país é a dimensão continental do Brasil. “Um entrave para a maior utilização é o tamanho do Brasil. O custo das redes de transmissão é muito alto, ainda”, pontuou.

Luiz Carlos Correa de Carvalho, presidente da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), pediu uma postura mais clara por parte do governo na definição de planos de ações mais eficazes em bases verdes. “O potencial para produção de energia limpa e biomassa é enorme no Brasil. Entretanto, o país precisa ter uma posição mais clara sua posição sobre as questões de energia”, afirmou.

Energia renovável é foco na Alemanha

“O Brasil está mais avançado do que a Alemanha no setor de energia limpa”, comparou o alemão Thomas Schulthess, presidente da Sowitec do Brasil Energias Alternativas, garantindo que o país europeu está completamente focado em atingir uma maior utilização e produção de energias verdes.

Schultness observou, no entanto, que falta consciência energética para o governo brasileiro. “O governo não pode arriscar ter um blecaute durante a Copa do Mundo”, disse, explicando que “somente a mudança na matriz energética” vai ajudar o país a combater esses desafios.

“Existe potencial para produção eólica, mas não existe rede de abastecimento. O Brasil poderia ter 100% de sua energia vindo de matrizes renováveis. Nenhum outro país tem esse potencial,” destacou.

Segundo o dirigente, o cenário é bastante diferente na Alemanha, por questões históricas e geográficas. Para Schulthess, a Alemanha jamais atingirá a capacidade de produção que o Brasil poderá atingir.

Petróleo ainda é fonte de energia mais eficiente do mundo

Ao fechar o painel de discussões, Bruno Musso, superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), disse que o desafio mundial do todo o setor é entregar energia suficiente para a demanda. Ele acrescentou que não existe nenhuma fonte de energia mais eficiente que o petróleo. “É difícil não ver o petróleo como matriz energética global.”

Musso chamou atenção para os altos custos da produção de energia limpa. “Outras matrizes energéticas terão dificuldades para entrar no mercado pelo alto custo que demandam. O petróleo é muito eficiente, com uma logística apropriada. O que temos visto é que os hidrocarbonetos continuam sendo buscados pelas nações e que continuam recebendo altos investimentos”, encerrou.

O encontro

Expositores do workshop Desafios no setor de energia. Foto: Fiesp

Ao menos dois mil empresários participaram do primeiro dia de palestras do 31º Encontro Brasil-Alemanha, que prossegue nesta terça-feira (14/05) e que, pela primeira vez, recebeu a visita dos dois chefes de Estado dos respectivos países.

O encontro é promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias da Alemanha (BDI).