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Brasil e Argentina precisam definir assuntos em que são parceiros, diz Sergio Massa

Em almoço na Fiesp, deputado da Província de Buenos Aires conversou com empresários brasileiros sobre as possibilidades de melhorias das relações comerciais entre os dois países

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

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Sergio Massa: “É fundamental que o Mercosul tenha vida”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para melhorar a relação comercial bilateral, Brasil e Argentina precisam definir quais são os temas de interesse comum, afirmou nesta quarta-feira (16/04) o deputado pela Província de Buenos Aires Sergio Tomás Massa em entrevista coletiva na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“É preciso que haja transparência em que assuntos vamos trabalhar juntos e em que temas somos competidores. A melhor forma de ter uma relação saudável é ter uma relação franca“, disse o fundador do partido Frente Renovador (2013) e apontado pela imprensa de seu país como pré-candidato à sucessão da presidente Cristina Kirchner.

Depois de ser recebido no gabinete pelo presidente da entidade, Paulo Skaf, o ex-chefe do gabinete de Cristina Kirchner (2008-2009) almoçou com empresários brasileiros.

Segundo análise de Massa, as rusgas surgidas nos últimos anos – e que também foram tema da conversa na Fiesp – têm a ver com a burocracia.

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Massa foi recebido pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O deputado argentino disse considerar fundamental que, antes de negociar com a União Europeia, os países consolidem o Mercosul. “Para negociar como bloco, com maior potência, com maior valor. É fundamental que o Mercosul tenha vida. Que o Mercosul seja definitivamente um projeto em que Brasil e Argentina evoluam juntos”, afirmou.

Para isso, ponderou Massa, é preciso olhar estrategicamente o Mercosul, encarando-o como um bloco econômico, principalmente para a negociação com outros blocos. “Falta consolidá-lo. Falta, digamos, dar a ele forma em termos de acordo e conteúdo em termos de política”, disse, assinalando que os problemas não estão em um detalhe ou outro.

Antes da entrevista, o parlamentar foi acompanhado pelo 1º vice-presidente da Fiesp, Benjamin Steinbruch, e pelo diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), Thomas Zanotto.

Leia mais trechos da entrevista:

Encontro com empresários brasileiros

“Foi um encontro com um setor que claramente tem muita atividade na Argentina, que é o setor de indústria de bebidas, setores vinculados ao agronegócio, alimentício, passando pelo setor automotriz. Tem muitas empresas que estão no Brasil e Argentina para falar sobre os temas que têm a ver com convergência, com futuro da região, e as possibilidades de desenvolvimento e os problemas que temos no presente. É uma questão de encontrar articulação e mecanismos de trabalho em comum. (…) Na verdade, o encontro é parte de um trabalho que tem sido feito pela União Industrial Argentina (UIA) e a Fiesp há muito tempo. Por isso tivemos reunidos primeiramente com Paulo [Skaf]. Tem uma relação com o Vasco de Mendiguren [deputado nacional e ex-presidente de Unión Industrial Argentina] que foi coordenador desse trabalho comum entre as entidades. É por iniciativa deles.”

Questão automotiva

Primeiro desafio é entender que somos complementares, que temos sinergias entre nossas economias e nossos recursos que podem nos permitir crescer juntos e negociar juntos. É preciso entender que Brasil e Argentina, juntos, são determinantes. E, além do mais, podem ser determinantes quanto a uma posição comum nos blocos. ”

Memorando de entendimento Brasil-Argentina

“É um passo importante [o memorando de entendimento foi assinado em 29/03/14 pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Mauro Borges, e o titular da pasta de Economia da Argentina, Axel Kicillof, em que os dois países se comprometem a buscar ferramentas que gerem financiamento para o comércio bilateral]. O mais importante é que tenhamos a capacidade de sustentar um projeto de complementaridade que, em termos industriais e econômicos, nos permita crescer e planejar no longo prazo.”

Importância do Brasil

“Sim, claro, em termos do que significam as relações comuns, se você vê o setor automotriz, o setor alimentício, o setor agropecuário, se olha a balança comercial da Argentina, vê que nas duas mãos o Brasil é um país estratégico, fundamental.”