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Biocombustíveis são essenciais para mitigar mudanças climáticas

Especialistas foram unânimes ao dizer que o uso de etanol pode contribuir para reduzir as emissões de gases de efeito estufa

Foto: Flávio Martin


Isaias de Carvalho Macedo,

pesquisador da Unicamp

A geração de energia poderá atingir cerca de 70% das emissões de gases de efeito estufa, em 2030, aletrou nesta segunda-feira (5) o pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Isaías de Carvalho Macedo.

“Os biocombustíveis são essenciais na mitigação e na alta redução das emissões de gases de efeito estufa”, reiterou, ao participar do 


10º Encontro Internacional de Energia


que a Fiesp e o Ciesp realiz em São Paulo.

Segundo o especialista, apesar de a comunidade internacional reconhecer os impactos das mudanças climáticas, a redução e a adaptação a uma economia de baixo consumo de carbono ainda são caras, difíceis e exigem esforço global.

Pessimista, Macedo disse que não acredita em grandes ações para minimizar os efeitos das mudanças climáticas até 2030. Para ele, as negociações sobre clima que ocorrerão na Conferência sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), em dezembro, na Dinamarca, terão que continuar.


Trópicos

O ex-ministro da Agricultura e presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, Roberto Rodrigues, afirmou que os biocombustíveis – que ele enfaticamente propõe que seja chamado de agroenergia – mudarão a geopolítica mundial neste século. “Qualquer país pode produzir alimentos, mas agroenergia não”, destacou.

“Para a produção de agroenergia são necessários: terra, planta e sol. E estes quesitos só podem ser encontrados, de maneira competitiva, entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio”, ressaltou. Na avaliação de Rodrigues, o Brasil tem todas as condições para liderar este novo modelo econômico, também chamado de economia verde.


Cana

A partir dos anos 70 do século passado, o Brasil saiu na frente, quando começou a produzir álcool combustível de cana-de-açúcar. Atualmente, não existe mais gasolina pura no País, tendo em vista que são adicionados 25% de etanol ao combustível fóssil, e 90% dos carros fabricados têm tecnologia flexfuel (que permite o uso tanto de gasolina quanto de álcool).

Foto: Flávio Martin


Marcos Jank, presidente da Unica

“O clima é o grande debate do futuro”, destacou o presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank. Segundo ele, ao mesmo tempo em que é ameaçada pelas mudanças climáticas, a agricultura pode representar perigo, por conta do desmatamento. “Por outro lado, ela também pode ser amiga, por sequestrar gases de efeito estufa”, sublinhou.

Jank defende a criação de marco regulatório para que o setor se desenvolva com segurança. “Também temos uma bagunça na tributação que precisa ser corrigida. E os meios de comercialização da cana são modernos, mas os do álcool são muito atrasados”, criticou.


Bioeletricidade

A produção de biomassa deverá crescer 1,7% entre 2009 e 2010, segundo o vice-presidente da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), Carlos Roberto Silvestrin. Percentual pequeno, conforme ele, se comparado ao potencial brasileiro de geração de energia a partir do bagaço de cana, que é de 20 mil Megawatts.

Silvestrin apontou seis razões para que a indústria utilize bioeletricidade:

  • É geração distribuída no centro de carga;

  • Pode ser escoada pela rede de distribuição, sem necessidade de reforços da rede básica;

  • A indústria nacional está apta a fornecer equipamentos à cogeração;

  • É energia limpa e utiliza biomassa nacional;

  • O potencial de bioeletricidade até 2020 poderá atingir 14.000 MW medios, com oferta de 125.960 GWh, com balanço ambiental positivo;

  • Tem importante papel importante na redução da intensidade de CO2 na matriz elétrica industrial.


    O diretor-titular do Deinfra/Energia da Fiesp e do Ciesp, Carlos Cavalcanti, falou à Agência Radioweb sobre fontes renováveis de energia

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