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Benjamin Steinbruch: Brasil está na contramão do mundo

O presidente da Fiesp critica a política de juros que, além de não ter conseguido conter a inflação, tem colocado o País no caminho de recessão

Agência Indusnet

Em artigo publicado nesta terça-feira (17/06), no Jornal Folha de S. Paulo, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Benjamin Steinbruch, critica a política de juros altos que vem sendo adotada no Brasil e pondera que o País está na contramão do mundo. “O Brasil vem aumentando a taxa básica de juros desde abril do ano passado. Nesse período, a nossa conhecida Selic passou de 7,25% para 11%, nível atual”, afirmou.

O objetivo da política – de conter a inflação  – era “nobre”,  segundo Benjamin. Porém, “para nossa decepção, o efeito esperado dessa política praticamente não se deu. Enquanto isso, o efeito colateral se apresenta em cheio, colaborando para esfriar a economia e colocá-la no caminho da recessão”.

O empresário também alerta para a preocupante situação da indústria e que um ambiente recessivo se espalha praticamente por todas as regiões e todos os setores. No caso do setor automobilístico, por exemplo, o mês de maio registrou queda de produção de 18%, em relação ao mesmo mês do ano passado, trazendo como consequência, diminuição do ritmo de trabalho, interrupção na linhas de montagem e demissões.

Steinbruch comenta que é comum, entre os analistas, apontarem como causa para esse cenário a falta de confiança do setor empresarial. Porém, segundo ele, há outros fatores. “É óbvio que estou falando da falta de crédito e dos juros. Não dá para explicar a ninguém por que, num momento em que tanto os países emergentes quanto os desenvolvidos estão cortando ferozmente os juros, aqui no Brasil continuamos com uma taxa de 11% ao ano”, criticou.

Em conclusão, ele afirma que, a despeito de clima de Copa do Mundo e do momento eleitoral, é necessário ter coragem para afrouxar agora a política monetária. “De qualquer forma, ganhe quem ganhar a eleição presidencial, precisará adotar uma política monetária mais frouxa. Se não fizer isso, na certa enfrentará uma recessão logo no primeiro ano de governo, para decepção de seus eleitores”, afirmou.

Para ler o artigo na íntegra, acesso o site do jornal Folha de S.Paulo.