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Atividade industrial de SP tem crescimento de 0,5%, e não recupera perdas anteriores

Segundo pesquisa da Fiesp e do Ciesp, setor manufatureiro paulista exibiu perda de 4% em julho na comparação com o mesmo mês do ano anterior

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A indústria paulista registrou uma ligeira melhora em sua atividade: de 0,5%, com ajuste sazonal, no mês de julho. A variação, no entanto, é “um falso positivo” uma vez que o mês de junho apresentou uma queda muito expressiva e não foi compensada no período seguinte, avalia o diretor de Economia da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Francini.

Segundo o levantamento de conjuntura elaborado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades, embora tenha apresentado ligeira alta na leitura mensal, o Indicador de Nível de Atividade (INA) de São Paulo registrou queda de 4% em julho comparado com o mesmo mês do ano anterior.

De acordo com Francini, o ganho registrado em julho não recupera as perdas anotadas no mês anterior. “Esperava-se que em julho se devolvesse pelo menos boa parte da perda de junho. Não dá para ter alegria”, diz Francini.

A Fiesp e o Ciesp revisaram a queda do INA de junho contra maio de 2,7% para uma redução de 1,6%. O diretor do Depecon explica, no entanto, que a revisão não indica melhora do cenário, mas é reflexo de uma previsão de queda das entidades para a Produção Industrial Paulista (PIM-SP), medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), que não se concretizou.

“O comportamento da PIM-SP anda muito volúvel. Portanto, acertar está sendo uma tarefa dificílima para todos. A PIM-SP continua sendo o resultado oficial e isso acarreta nesses desacertos em nossa tentativa de acertar o valor, é o que mais explica a nossa revisão”, afirma Francini.

Em junho, a Fiesp e o Ciesp haviam divulgado uma queda de 2,7% do INA. O dado foi revisado para uma contração de 1,6% uma vez que era esperada uma queda de 3,1% da PIM-SP, mas a diminuição foi de 1% naquele mês.

Queda expressiva

O diretor do Depecon reafirmou a projeção da Fiesp e do Ciesp de queda de 5% da atividade industrial paulista em 2014. Em março deste ano, as entidades esperavam declínio de 1,6% este ano.

Francini acredita que mesmo a leitura positiva do INA em julho não pode evitar a trajetória de queda do setor manufatureiro de São Paulo.

“O que se mostra claramente é que o desempenho da indústria no ano de 2014 está muito ruim. Também não achamos que até o final do ano teremos a reversão desse quadro”, explica.

Segundo a pesquisa do INA, no acumulado de janeiro a julho deste ano a indústria registrou uma piora de 6,7% de sua atividade. Com exceção de 2009, ano da crise, quando as perdas do setor neste mesmo período chegaram a 15%, esse resultado é o pior desde 2002, início da série.  “Queremos ver a mudança sem conseguir enxergar quando ela vai ocorrer”.

Indústria em julho

No acumulado de 12 meses, a performance da indústria paulista caiu 4,4%. A variável Nível de Utilização de Capacidade Instalada (NUCI) medida pelo índice da Fiesp e do Ciesp apresentou taxa praticamente estável em 78,8% em julho versus 79% em junho.

A atividade da indústria de máquinas e equipamentos apresentou queda pelo sexto mês consecutivo e fechou em 0,9% negativo em julho contra o mês anterior, com ajuste sazonal. A queda de 3,8% do Total de Vendas Reais foi a principal influência baixista para o desempenho do segmento.

Na contramão das perdas, a indústria de celulose, papel e produtos de papel apresentou crescimento da atividade da ordem de 1,4% na leitura mensal com ajuste sazonal, impulsionado em boa parte pelo Total de Vendas Reais que aumentou 4,4%.

Indústria com forte atividade exportadora, o setor de celulose e papel se vale de expectativas de aumento das exportações este ano. Segundo dados da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) dessazonalizados pelo Depecon, as exportações do segmento cresceram 10,8% no trimestre findo em julho frente ao trimestre anterior.

Percepção

A percepção geral dos empresários diante do cenário econômico, medida pelo Sensor Fiesp, se mostrou praticamente estável a 45,6 pontos em agosto contra 45,8 pontos em julho.

A variável Mercado também apresentou estabilidade a 48 pontos no mês corrente ante 47,7 pontos no mês anterior. O mesmo aconteceu com o componente Vendas, que ficou em 51,5 pontos em agosto versus 50,3 pontos em julho.

A percepção quanto ao item Emprego, no entanto, apresenta uma leitura preocupante, segundo o diretor Paulo Francini. O Sensor mostrou que a variável caiu mais de dois pontos para 44,1 pontos em agosto ante 46,3 pontos em julho.

“Nos preocupou um pouco nesse Sensor que a expectativa do emprego venha infelizmente confirmar nossa expectativa de uma perda bastante significativa na indústria do estado de São Paulo em 2014”, diz Francini.

A Fiesp e o Ciesp projetam uma perda de pelo menos 100 mil empregos da indústria este ano, o equivalente a um declínio de 4,5% em 2014.

De acordo com o levantamento, o componente Investimento também caiu, para 46,9 pontos em agosto versus 50 pontos em julho.

Já a variável Estoque subiu de 34,5 pontos em julho para 37,7 pontos em agosto, mas ainda indica estoques acima do planejado.