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Atividade industrial de São Paulo cai 3% em abril

Percepção dos empresários sobre economia é a pior desde 2006

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542637582O desempenho da indústria paulista apresentou forte piora. Caiu 3% na passagem de março para abril, segundo pesquisa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) divulgada nesta quinta-feira (28/5).

Entre as variáveis avaliadas, o Total de Vendas Reais apresentou expressiva queda, de 6,3%, em abril em relação a março, na leitura com ajuste sazonal.

“Um resultado preocupante”, segundo o gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Guilherme Moreira.

O Índice de Nível de Atividade da Fiesp e do Ciesp, o INA, acumula o seu quinto quadrimestre consecutivo de queda. “Desde 2013, o INA vem em trajetória de queda. A indústria paga muito imposto, os juros afetam diretamente e, nas medidas atuais, não há nenhum sinal de melhora nesse sentido”, afirma o gerente sobre o ajuste fiscal em curso, feito pelo governo.

No acumulado de 12 meses, a atividade industrial registra queda de 4,5%, segundo dados de abril. O resultado negativo é mais significativo porque a base de comparação – os 12 meses imediatamente anteriores – é ainda pior.

“Mantemos nossa projeção de queda de 5% do INA para 2015, o que é ruim, principalmente tendo como base o ano de 2014, que foi horrível”, diz Moreira.

Medida pelo Sensor Fiesp, a percepção geral dos empresários diante do cenário econômico também indica preocupação com o futuro. Na sondagem do mês de maio, houve queda de quase cinco pontos, indo para 44,2, frente a 49 pontos em abril, na leitura com ajuste sazonal. É o pior resultado da série histórica da pesquisa, iniciada em 2006.

Câmbio

Na avaliação do gerente do Depecon, a mudança de patamar do câmbio é positiva para o setor produtivo, uma vez que beneficia as exportações e aumenta a competitividade do produto nacional em relação ao importado. Mas o efeito desse novo patamar cambial tem perdido força em meio à forte redução de demanda que o país enfrenta.

“O câmbio ajuda a indústria, favorece a competitividade em relação ao produto importado. Mas este momento de crise em que o país entrou, afetando muito a renda e o consumo das famílias, está se sobrepondo aos efeitos positivos do câmbio”, afirma.

Moreira cita como exemplo o caso de indústria de alimentos, que apresentou uma queda de 2,1% na passagem de março para abril, segundo o INA. As vendas reais do segmento despencaram 22,3% no mês.

“Essa queda não está relacionada somente ao setor sucroalcooleiro, mas é reflexo da forte queda da renda e do emprego que as famílias vêm enfrentando. Está se refletindo nas compras do supermercado. A crise, que até ano passado atingia a indústria, agora é generalizada e também chegou às famílias”.

Sensor em maio
A percepção do setor produtivo em relação ao mercado também apresentou queda. Foi de 41,7 pontos em maio, versus 46,3 pontos em abril. Já a variável Vendas despencou 8,6 pontos, para 40,5 pontos em maio, ante 49 pontos em abril.

O item Estoque chegou a 46 pontos no mês de maio, ante 47,2 pontos no mês anterior.  E a percepção quanto ao Emprego piorou para 43,5 pontos, contra 47,1 pontos em abril.

De acordo com o levantamento, a variável Investimento caiu para 46 pontos em maio, contra 50,6 pontos no mês anterior.

Os resultados do Sensor deste mês indicam que a atividade de maio também deve apresentar baixa. Leituras em torno dos 50 pontos indicam percepção de estabilidade do cenário econômico. Abaixo dos 50,0 pontos, o Sensor sinaliza queda da atividade industrial para o mês; acima desse nível, expansão da atividade.

No caso da variável Estoque, leituras superiores a 50,0 pontos indicam estoque abaixo do desejável, ao passo que inferiores a 50,0 pontos indicam sobrestoque.